Em São Paulo, a violência no ambiente escolar chamou a atenção nos últimos dias. Em São José dos Campos, no interior do estado, a professora Michele Ramos desabafou nas redes sociais depois que três estudantes colocaram um pedaço de vidro no copo de água dela.
Em Santo André, na Grande São Paulo, um homem foi morto em uma briga em frente a uma escola. O conflito era inicialmente entre duas estudantes, mas acabou envolvendo as famílias delas. O suspeito foi preso.
O problema da violência no ambiente escolar não é novo no estado de São Paulo. Em pesquisas feitas nos últimos anos, professores e estudantes já relatavam essa situação. Em um estudo do Centro do Professorado Paulista, dois em cada três professores disseram já ter passado por agressões verbais ou físicas. Em 2023, uma pesquisa do Instituto Locomotiva apontou que sete em cada dez estudantes e professores achavam o nível de violência nas escolas alto.
Para o psiquiatra e professor Thiago Marques Fidalgo, há um aumento da violência na sociedade brasileira que se reflete nas escolas. Ele ressalta a importância de diálogo nas comunidades escolares para encarar esses episódios. “Se a gente pode tirar algo de uma situação de violência, é a possibilidade de conscientização dos colegas, de trabalho com os colegas, de toda a comunidade escolar, os funcionários, as famílias. Falar sobre os problemas, falar sobre quão inaceitáveis são os comportamentos violentos, falar sobre as diferentes naturezas, que violência não é só violência física. Então, acho que promover esse diálogo com toda a comunidade escolar é fundamental”, defende ele.
O sindicato dos professores da rede estadual de ensino diz que práticas autoritárias na gestão potencializam a violência no ambiente escolar. “A escola não é um local em separado na sociedade. Portanto, o culto à violência que a gente vê na sociedade, vai se apresentar também no ambiente escolar, principalmente nos grandes centros urbanos”, afirma Roberto Guido, presidente interino da Apeoesp.
Sobre o caso do tio da aluna, morto em frente à escola em Santo André, a Secretaria Estadual de Educação afirma que convocou os estudantes da unidade para uma roda de conversa, entre outras medidas. A escola foi incluída no programa de melhoria da convivência e proteção escolar, e um psicólogo foi colocado à disposição dos estudantes.
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