Barricadas em chamas e operações policiais com intensas trocas de tiros. Essa realidade frequente em muitas regiões da cidade do Rio de Janeiro impacta diretamente na vida escolar de nossas crianças e adolescentes. Cerca de 190 mil estudantes da rede municipal carioca tiveram o trajeto da casa para a escola afetado por interrupções no transporte público devido à violência. O dado é de uma pesquisa do Unicef lançada com o Instituto Fogo Cruzado e o Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense. E se refere ao período de janeiro de 2023 a julho de 2025.
“Quando a gente tem adolescentes crianças que não frequentam a escola a gente tem todo um impacto muito grande não só sobre performance escolar mas também na própria evasão. A questão da saúde mental ela é muito impactada também. Então esses são os impactos mais significativos que a gente vê nessa interrupção da rotina da previsibilidade do transporte que as crianças adolescentes têm que usar para poder acessar os serviços.” pontua Flávia Arantes, chefe do Unicef/RJ.
No acumulado de 2 anos e meio foram mais de um milhão de deslocamentos casa escola interrompidos. Muitas crianças foram afetadas mais de uma vez. O levantamento aponta ainda que o problema é mais concentrado nas áreas da cidade marcadas por desigualdades sociais.
A zona norte onde ficam o morro do Alemão e o complexo da Maré concentra quase 60% das escolas sob risco elevado. O bairro da Penha que se destaca como principal epicentro da mobilidade interrompida e que também fica na zona norte ficou equivalente a 176 dias sem transporte público. O relatório aponta ainda que a mobilidade urbana acaba sendo pior para a população negra.
“A pesquisa mostra por onde começarmos. É muito importante identificar esses padrões de desigualdade e agir sobre eles para que as nossas crianças adolescentes tenham todas, independente de onde elas morem na cidade do Rio de Janeiro, qual seja a cor da pele delas, todas têm direito à mesma educação e às mesmas oportunidades”, afirma Maria Isabel Couto, do Instituto Fogo Cruzado.
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