O governo brasileiro anunciou, nesta sexta-feira (10), um aumento da cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Com foco em ações de inteligência, um dos objetivos é aumentar operações para barrar a circulação de armamentos e drogas.
O anúncio tem um contexto: Donald Trump vem avaliando classificar as facções criminosas do Brasil como terroristas. Segundo especialistas, a medida pode servir de pretexto para intervenções, como as que ocorreram na Venezuela e no mar do Caribe, próximo à Colômbia, no ano passado.
Os dois países vão trocar informações em tempo real, fiscalizar cargas em portos e tentar agir antes de os crimes acontecerem. A cooperação vai ser entre Receita Federal, Polícia Federal e a agência de fronteiras dos Estados Unidos, dentro de um programa chamado de Interdição Mútua (Mutual Interdiction Team - MIT).
A ideia é usar as inteligências dos países para interceptar cargas ilegais. Serão utilizados, por exemplo, equipamentos de raio X para rastrear contêineres que saem dos portos norte-americanos para cá.
O acordo também inclui o programa Desarma, da Receita Federal para rastrear armamentos e que também informa, em tempo real, as autoridades norte-americanas sobre a existência de cargas ilícitas, como armas, munições e explosivos.
O secretário da Receita Federal disse, inclusive, que mais de mil armas foram apreendidas nos últimos 12 meses, vindas dos Estados Unidos. E que só nos últimos 3 meses foi apreendida mais de 1,5 tonelada de drogas, principalmente sintéticas e haxixe.
O governo também informou que essa parceria só foi possível após avanços nas relações entre os presidentes Lula e Donald Trump. O anúncio vem nesse contexto de que os Estados Unidos estão considerando a possibilidade de classificar as facções criminosas brasileiras como grupos terroristas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em conjunto com Receita Federal e Polícia Federal, disse que o foco é aumentar a cooperação. Ele também respondeu se essa ação ajudaria em relação ao governo norte-americano não classificar as organizações criminosas no Brasil como terroristas.
“Nós não tratamos sobre isso, não é um tema que eles tenham trazido. Então, não foi um tema tratado, mas eu espero que sim, que a gente possa avançar com cooperação para que a gente evite, como eu disse, que armas venham ao Brasil ou que quando venham por alguma falha dos controles ou da gestão de risco que a gente possa informar, de modo que a gente vá diminuindo o buraco nessa rede, sabendo que há criatividade do lado dos criminosos, o que nós vamos fazer é fortalecer o papel do Estado, de maneira organizada, de maneira cooperativa, envolvendo todos os órgãos possíveis para que a gente diminua e garanta a segurança do Brasil”, avaliou o ministro.
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