Com 46 edições publicadas, incluindo uma edição especial voltada ao público infantojuvenil, a publicação do ICMBio consolida-se como uma das principais publicações científicas dedicadas à conservação ambiental e à sociobiodiversidade
Neste mês, a revista Biodiversidade Brasileira celebra 15 anos de história, consolidando-se como uma das principais publicações científicas dedicadas à conservação ambiental e à sociobiodiversidade no país. Vinculada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a revista tornou-se referência na divulgação de pesquisas, experiências e reflexões voltadas aos temas que abrange.
Para a coordenadora-geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade (CGPeq/DIBIO) e atual editora-chefe adjunta da revista, Cecília Cronemberger, a publicação é fundamental na valorização do ICMBio como órgão promotor de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT), pois demonstra e reforça a capacidade científica institucional. “A revista é uma plataforma que dá visibilidade, credibilidade e difusão ao conhecimento produzido, conectando o ICMBio à comunidade acadêmica global”, coloca.
Desde 2011, a Biodiversidade Brasileira teve 46 edições publicadas fortalecendo sua atuação como importante veículo de divulgação científica nas áreas de conservação e manejo de unidades de conservação (UCs), gestão e uso sustentável de recursos naturais renováveis, biodiversidade e espécies ameaçadas, fiscalização e proteção do patrimônio natural, além da educação e formação.
Ao longo dessa trajetória, a publicação que teve sua primeira edição em 13 de maio de 2011, passou por um processo de amadurecimento institucional marcado por importantes conquistas. Entre elas, destacam-se a ampliação da equipe com dedicação exclusiva à revista, a publicação de sua política editorial, o lançamento de chamada pública para composição do Comitê Editorial e a indexação no Directory of Open Access Journals (DOAJ), ampliando sua visibilidade internacional e o alcance da produção científica publicada.
Outro avanço significativo foi a adoção do modelo de acesso aberto, no qual autores e leitores têm acesso gratuito ao conteúdo, sem cobrança de taxas de submissão ou publicação. A revista também implementou um checklist para rigorosa análise preliminar das submissões e desenvolveu o Curso de Avaliadores, oferecido pela Escola Virtual de Governo, fortalecendo a qualidade editorial e o processo de avaliação. E recentemente se adequou às melhores práticas de ética editorial recomendadas pelo Comitê de Ética em Publicações (COPE), organização internacional sem fins lucrativos.
Sobre a criação da revista
Um grupo de analistas ambientais sonhava com uma publicação técnico-científica que abarcasse as especificidades de conhecimentos de gestão voltada conservação da biodiversidade. Com a criação do ICMBio, em 2007, essa ideia pode ser concretizada, e a revista nasceu com a proposta de abordar diferentes dimensões da gestão ambiental e debater temas desafiadores, reunindo especialistas de diversas áreas e regiões do país.
“Nesse início, conduzimos discussões bastante complexas sobre manejo do fogo e espécies exóticas, culminando, em 2018, em um amplo diálogo sobre a questão da caça. A revista possibilita dar voz a diferentes perspectivas, em vários biomas e por diferentes atores, abrangendo uma grande riqueza de informações”, explica Kátia Torres, bióloga, diretora do ICMBio e primeira editora da revista.
A revista começou publicando trabalhos elaborados por servidores, e ao longo dos anos, ascendendo em credibilidade, foi sendo cada vez mais procurada pela comunidade científica em geral para publicar suas pesquisas.
No início, as edições eram temáticas e não possuíam periodicidade definida. Um tema era escolhido — como “caça” ou “primatas” — e aguardava-se até que todos os artigos fossem submetidos pelos pesquisadores, processo que demandava tempo significativo.
Evolução e amadurecimento científico
A partir de 2019, a revista passou por um processo de padronização editorial, adotando o modelo de fluxo contínuo. Nesse formato, pesquisadores do Instituto e de outras instituições podem submeter artigos a qualquer momento e, após aprovação, os trabalhos passam a integrar a edição vigente.
Em 2025, a publicação incorporou novas inovações, como sua indexação ao DOAJ, diretório global e multidisciplinar de periódicos científicos de acesso aberto. Também foi criada a política editorial, que estabelece o funcionamento da revista e define a periodicidade de quatro edições anuais. As publicações temáticas passaram a ser editadas mediante solicitação do Instituto ou de instituições parceiras.
“A Biodiversidade Brasileira ficou mais alinhada às revistas científicas nacionais e internacionais. Hoje, ela abrange uma gama de informações sobre conservação da biodiversidade que vai além do âmbito do ICMBio e das unidades de conservação. Na maior parte dos casos, os pesquisadores que submetem artigos à revista não pertencem ao órgão*”*, explica Daniel Luis Kantek, analista ambiental do Instituto e atual editor da publicação.
Antes de serem publicados, os artigos passam por avaliação da adequação à linha editorial e da qualidade científica. Somente depois ocorre a análise de conteúdo, procedimento adotado pelas principais revistas científicas do mundo. Há uma equipe exclusiva responsável pela edição, revisão, diagramação e publicação dos trabalhos.
Para organizar todas as etapas do processo editorial, a equipe utiliza o sistema Open Journal Systems (OJS). O processo segue o modelo de avaliação cega: editores e revisores não têm acesso à identidade dos autores, e os autores não sabem quem são os avaliadores. Pelo sistema, os editores podem solicitar ajustes aos autores até a aprovação da versão final.
A publicação depende do trabalho voluntário de revisores e editores para esta finalidade. Hoje, a revista conta com um time de 65 editores temáticos, que são servidores da autarquia e pesquisadores de outras instituições nacionais e internacionais, sem os quais não seria capaz de tocar o processo editorial. Esse time agrega diversidade de olhares, abordagens e conhecimento ao processo de revisão.
| O artigo mais lido é volume 14, número 4 - Foto: Divulgação O artigo mais lido é volume 14, número 4 - Foto: Divulgação | O segundo mais lido também é do volume 14, número 1 - Foto: Divulgação O segundo mais lido também é do volume 14, número 1 - Foto: Divulgação | Em 2024 foi lançada uma edição especial da revista voltada ao público infantojuvenil - Foto: Divulgação Em 2024 foi lançada uma edição especial da revista voltada ao público infantojuvenil - Foto: Divulgação |
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Artigos mais lidos
O artigo mais acessado da revista é “Risco e resiliência: uma revisão das características funcionais que influenciam a vulnerabilidade ao fogo em mamíferos do Pantanal”, publicado no volume 14, número 4, de 2024. O estudo analisa os impactos dos incêndios de 2020 sobre os mamíferos do Pantanal, investigando quais espécies são mais vulneráveis ao fogo e destacando a necessidade de ações de conservação e aprimoramento do manejo de incêndios no bioma.
O segundo artigo mais lido também aborda a temática do fogo no volume 14: “Compreendendo a ação do fogo nos ecossistemas brasileiros”, publicado no número 1. O trabalho revisa a relação entre incêndios florestais e ecossistemas, mostrando que o fogo pode ser tanto prejudicial quanto essencial para alguns biomas brasileiros, além de destacar seu impacto climático e a necessidade de políticas de manejo sustentável.
O terceiro artigo mais acessado é “Espécies exóticas invasoras em unidades de conservação federais do Brasil”, publicado no volume 3, número 2, de 2013. O estudo analisa a presença de espécies exóticas invasoras em unidades de conservação federais e destaca seus impactos sobre a biodiversidade, além da necessidade de monitoramento e controle dessas espécies.
Além desses, vários outros estudos importantes estão disponíveis no site da Biodiversidade Brasil e podem ser lidos livremente.
Iniciação científica
Em 2022, a revista Biodiversidade Brasileira envolveu estudantes universitários de diversas instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), iniciativa do CNPq, em uma edição especial. Os jovens tiveram a oportunidade de escrever e publicar seu primeiro artigo científico, sob orientação de um professor.
“Foi bastante interessante realizar essa edição com eles. Os estudantes e orientadores transformaram os relatórios finais do PIBIC em artigos científicos. Foi um marco da revista que considero muito importante*”*, afirma Fernanda Oliveto, analista do ICMBio, integrante da equipe editorial desde 2016.
Edição especial para o público infantojuvenil
Em 2024, foi lançada uma edição especial da revista voltada ao público infantojuvenil. Com o ativista Chico Mendes na capa, a edição contou com a colaboração de Elenira Mendes, filha do ambientalista.
“A gente escolheu alguns artigos científicos publicados pela revista que poderiam interessar às crianças e os adaptamos para uma linguagem acessível. Então, essa edição não traz artigos científicos propriamente ditos, mas divulga os conteúdos científicos de forma mais didática”, explica Fernanda.
A edição abordou temas como fungos do gênero Cordyceps — conhecidos do público pela série The Last of Us —, além de assuntos como “farmácia ao ar livre”, “formiga-zumbi” e “microplásticos encontrados em peixes”. Ao final de cada matéria, foi publicada uma foto do autor ainda criança acompanhada de uma breve entrevista.
Próximos passos
Atualmente, a Revista organiza sua linha editorial em cinco grandes eixos temáticos: conservação e manejo de unidades de conservação; gestão e uso sustentável de recursos naturais renováveis; biodiversidade e espécies ameaçadas; fiscalização e proteção da biodiversidade e do patrimônio natural; e educação e formação para a conservação da sociobiodiversidade.
A diversidade de temas reforça o compromisso da publicação com a integração entre ciência, gestão pública e conhecimentos tradicionais. Neste mês, maio, também será lançada a nova política editorial da revista, reforçando suas diretrizes de funcionamento.
A comemoração dos 15 anos representa também o reconhecimento do trabalho coletivo para consolidar a revista como espaço de diálogo científico e construção de conhecimento em prol da conservação ambiental no Brasil. Em um cenário de crescentes desafios climáticos e pressões sobre os ecossistemas, a Biodiversidade Brasileira reafirma seu compromisso com a ciência, a inovação, a diversidade e o acesso aberto ao conhecimento.
Comunicação ICMBio




