A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada na manhã deste sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo do Tribunal Federal, também cancela todas as visitas que haviam sido pedidas pela defesa e autorizadas nos últimos dias.
Eram pelo menos 26 visitas programadas para as próximas semanas, entre elas a dos governadores Tarciso de Freitas de São Paulo, Cláudio Castro, do Rio de Janeiro e Ronaldo Caiano, de Goiás. A lista também incluía deputados, senadores, economistas, padres, jornalistas e lideranças do Partido Liberal.
Até hoje, Bolsonaro cumpria prisão domiciliar em um condomínio de alto padrão em Brasília, onde recebia visitas frequentes de aliados. Mas a situação mudou depois que o STF foi informado da violação da tornozeleira eletrônica às 0h08min.
Na decisão, Moraes afirma que há risco real de fuga e que a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro em frente ao condomínio poderia ter sido usada para obstruir a fiscalização e facilitar uma tentativa de escapar do país, repetindo, segundo ele, "o modus operandi" já identificado na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022.
Moraes destacou ainda que o local onde Bolsonaro morava fica apenas 13 quilômetros do setor de embaixadas, distância que poderia ser percorrida em menos de 15 minutos. Citou a fuga de outros aliados como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro para reforçar o risco.
Bolsonaro foi preso por volta das 6h, levado para a Superintendência da Polícia Federal, realizou exame de corpo de delito e vai permanecer em uma sala de Estado, que é um espaço destinado a autoridades.
Essa prisão preventiva não tem relação direta com a condenação de 27 anos por tentativa de golpe, que ainda aguarda a análise de recursos.
Ontem, a defesa de Bolsonaro havia pedido que ele cumprisse prisão domiciliar humanitária, alegando problemas de saúde e risco à vida em ambiente prisional, mas o pedido foi negado pelo STF.
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