Um dos pontos que se destacaram na apreciação do bem foi o pedido original de tombamento, redigido pelo renomado arquiteto e urbanista brasileiro Lúcio Costa, nos anos 1990. Em seu parecer técnico favorável ao tombamento, a conselheira Raquel Furtado destacou a raridade da edificação e também a qualidade arquitetônica e paisagística do bem de arquitetura eclética erudita, marco na paisagem carioca. “Interessa preservar, portanto, não apenas um palacete luxuoso de família influente em estilo francês, mas sua situação na paisagem carioca e sua relação com sua vizinhança ao manter-se aberto, com a fruição de seus jardins, bem como a capacidade de adaptar-se a novos usos e possibilidades”, afirmou.
Dois importantes patrimônios culturais brasileiros, representantes de diferentes períodos históricos do país, foram apreciados nesta terça-feira (9) durante a 113a Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado e seus jardins e a Antiga Casa da Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto (MG), tiveram seu tombamento aprovado pelos conselheiros do Instituto.
Inaugurada em 1770, a edificação permanece como a mais importante remanescente das antigas casas de ópera coloniais brasileiras. O imóvel integra o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto, tombado pelo Iphan desde 1938. Durante a reunião do Conselho, foi aprovado o tombamento isolado do Teatro Municipal de Ouro Preto com reconhecimento de seus valores históricos, arquitetônicos, artísticos e simbólicos próprios, independentemente de sua já existente proteção como parte do conjunto urbano tombado de Ouro Preto.
“Conclui-se pela pertinência do tombamento isolado do teatro, com a correspondente delimitação de proteção da edificação e de sua ambiência urbana, como forma de garantir a preservação integral de seus valores excepcionais e de sua integridade estrutural”, observou a conselheira Beatriz Bueno, relatora do parecer. “Trata-se, portanto, de instrumento que atribui significação cultural singular ao bem, conferindo-lhe reconhecimento público e institucional como referência da memória coletiva brasileira”, conclui.
No segundo dia da 113ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, nesta quarta-feira (10), serão apreciados o registro do Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado; o registro dos Lugares Sagrados de Juazeiro do Norte (CE); e a revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil para o “Fandango Caiçara”, já registrado pelo Iphan desde 2012.
Ouro Preto
Localizado na Rua São Clemente, 213, no bairro carioca de Botafogo, o Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, atualmente também chamado de Casa Firjan, é uma mansão do início do século XX que pertenceu à família Guinle. Embora cercado por prédios de diferentes épocas e alturas, do jardim e da casa se mantém a vista principal para o morro Dona Marta. O imóvel foi restaurado e ganhou moderno anexo. Aberto à visitação, abriga eventos e atividades culturais e educativas promovidas pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, instituição privada que atua como representante oficial do setor industrial fluminense
O segundo bem considerado na reunião do Conselho trata-se do mais antigo teatro em funcionamento contínuo nas Américas, conforme estudo realizado na década de 1940. A antiga Casa da Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto, constitui exemplar singular da arquitetura teatral luso-brasileira do período colonial e é considerado um dos mais relevantes monumentos culturais do país.
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