A Meta apresentou, nesta terça-feira (20), explicações à Justiça Eleitoral sobre as acusações de tratamento diferenciado para os candidatos à Presidência da República no 2º turno. A empresa negou atuação desigual. Mas um documento interno da própria Meta reconheceu falhas graves em relação às eleições.
No documento entregue ao Tribunal Superior Eleitoral, a Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, alega que adotou uma série de medidas para garantir a isonomia dentro das redes para os candidatos à Presidência, principalmente sobre o alcance das postagens.
Entre as ações, a empresa aponta que fez atualizações nas ferramentas de inteligência artificial para evitar que apenas peças de um candidato pudessem ser geradas, inclusive quanto aos comandos dos prenomes de Flávio Bolsonaro e Lula.
Em testes feitos pela reportagem agora à tarde, a IA da Meta se negou a criar as mesmas peças gráficas de antes das restrições. A big tech também disse ter auditado e excluído 720 postagens com conteúdo político irregularmente criadas por IA.
A empresa atendeu pedido do TSE, que estipulou multa de até R$ 1 milhão caso ela não prestasse esclarecimentos. O caso chegou à Justiça Eleitoral depois que a coligação O Brasil Pronto pra Mais acusou a Meta de favorecimento à coligação adversária.
Não é de agora que há suspeitas de interferências da Meta no pleito no Brasil. E isso foi reconhecido hoje por órgãos internos da empresa. O Conselho de Supervisão sobre a Proteção da Integridade Eleitoral nas plataformas da Meta disse hoje, em nota, que “a aplicação excessiva de políticas antifraude da Meta contra as contas de anúncio do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas”.
E finaliza dizendo que “em 2025, a Meta prometeu permitir mais liberdade de expressão e menos erros em eleições e debates políticos. Como demonstram os eventos recentes, a empresa ainda tem muito trabalho a fazer para cumprir essa promessa”.
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