Hoje, o Brasil publicou o documento detalhando as propostas que farão parte do acordo final da COP30. A redução da dependência dos combustíveis fósseis, o combate ao desmatamento e o financiamento para ajudar os países mais afetados pelas mudanças climáticas estão entre os temas do rascunho apresentado aos ministros presentes no evento.
A urgência por ações concretas para preservar o meio ambiente é grande, e por isso, o presidente Lula voltou a Belém, para tentar destravar os pontos polêmicos e impulsionar as negociações. O rascunho do documento final da COP30 só foi tornado público nesta quarta-feira.
São 9 páginas em que os negociadores propõem ações para limitar o aquecimento global a 1 grau e meio. O texto reforça que a meta estabelecida no Acordo de Paris, em 2015, permaneça viva, mas exige esforços maiores para reduzir o uso dos combustíveis fósseis, principalmente o petróleo.
De acordo com o documento, para combater a destruição ambiental, é preciso combinar ciência, justiça climática, financiamento adequado e participação dos povos mais afetados. Fernanda Bortoletto, ambientalista da The Nature Conservancy Brasil, que participa da COP30 em Belém, destaca que a construção de um acordo em torno desses temas tem sido positiva nesta edição do evento.
"São temas de urgência para a implementação. Essa COP a gente tá chamando a COP da implementação, porque desde o Acordo de Paris, todas as regras já foram definidas nos últimos dez anos. Então agora a gente precisa implementar essas regras. Por isso estamos vendo a adoção de mapas do caminho e grupos de trabalho, que são maneiras de definir como essas regras vão ser implementadas no país.”
O documento apresentado hoje detalhando as propostas, como estratégia para facilitar as negociações, ainda defende que países historicamente responsáveis pelas emissões precisam aumentar suas metas e contribuir com recursos financeiros adequados. Fernanda avalia como inovadora a forma que a presidência da COP no Brasil divulga os avanços por meio dos rascunhos. Segundo ela, a chegada do presidente Lula deve trazer avanços nas negociações e nos mapas do caminho.
"A gente já teve um rascunho de uma decisão política ontem e espera já ter a adoção desse rascunho. Ainda mais com a chegada do presidente Lula para fortalecer as decisões, fortalecer esse encaminhamento. Então acho que a gente está com uma expectativa muito boa de realmente, pelo menos hoje, ter essa decisão política do pacote de Belém e o avanço das negociações dos pontos que estamos acompanhando.”
Lula chegou no fim da manhã e participou de diversas reuniões bilaterais, com objetivo de encontrar soluções para pontos ainda sem consenso. O presidente brasileiro também participou de uma reunião com a sociedade civil, onde estiveram presentes cientistas, representantes das comunidades indígenas e de organizações ambientais de todo o mundo.
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