A Seleção conquistou o ouro no Pan-Americano daquele ano e, na sequência, disputou a Copa do Mundo de 2007 e os Jogos Olímpicos de Pequim 2008, quando conquistou a segunda medalha de prata olímpica de sua história.
Aline conciliou o futebol com a formação universitária e chegou a enfrentar o dilema entre seguir a profissão para a qual havia estudado ou continuar jogando. Para ela, a realização mais frequente e estruturada de competições foi determinante para a transformação observada nas últimas décadas.
A realização da Copa de 2027 no Brasil amplia essa discussão. Durante o encontro, o Ministério do Esporte abordou a preparação para receber o Mundial e a construção de ações voltadas para que os efeitos da competição ultrapassem o período dos jogos, com atenção à consolidação do futebol feminino e ao desenvolvimento futuro da modalidade.
Informação também constrói visibilidade
Aline Pellegrino, ex-capitã da Seleção Brasileira e atual diretora executiva de Legado e Relações Institucionais da Copa do Mundo Feminina, lembrou que essa perspectiva estava distante da realidade de muitas jogadoras no início dos anos 2000. “Eu não via ali a minha profissão. O que eu queria ser era professora de Educação Física”, contou.
O debate apontou que ampliar a visibilidade não significa apenas aumentar o volume de exposição. Passa também pela produção de informação qualificada, pelo acompanhamento contínuo das competições e pela apresentação das histórias das jogadoras para além dos grandes torneios internacionais.
“Para mim, 2007 é o primeiro divisor de águas do futebol feminino no Brasil em termos de visibilidade”, afirmou.
“Em 2015, havia um descaso tão grande com o futebol feminino que as pessoas não cumpriam o básico do dever do jornalista, que era checar a informação, e você via muitos erros de equipes de reportagem falando sobre atletas da Seleção Brasileira”, afirmou.
Nesse processo, clubes, projetos sociais, entidades esportivas, poder público, imprensa e demais setores ligados à modalidade têm participação na construção de condições para que o interesse despertado pela Copa permaneça depois de 2027.
Do Pan de 2007 à Copa de 2027
A qualidade da cobertura jornalística foi outro tema do encontro. A jornalista Renata Mendonça lembrou que, há pouco mais de uma década, a baixa atenção dedicada à modalidade também aparecia em informações básicas sobre equipes e atletas.
A realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 no Brasil amplia o debate sobre como transformar a visibilidade gerada pelo maior torneio da modalidade em oportunidades permanentes para meninas e mulheres no futebol. Formação de atletas, calendário de competições, presença de público nos estádios e condições para o desenvolvimento profissional estiveram entre os temas discutidos durante a COB Expo 2026, em São Paulo.
A ex-jogadora apontou os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, como um momento importante para ampliar o contato do público brasileiro com a Seleção Feminina. Na avaliação de Aline, a sequência de partidas e a cobertura da competição permitiram acompanhar a equipe durante um período prolongado.
Legado começa antes da Copa
O Ministério do Esporte participou, no sábado (3), do curso “Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 no Brasil: mídia, visibilidade e construção de legado”, ao lado de representantes da organização do Mundial, ex-atletas e profissionais da comunicação. O encontro discutiu estratégias para que a realização da primeira Copa do Mundo Feminina na América do Sul produza efeitos que permaneçam depois da competição.
“Essa virada vem muito também com essas competições acontecendo de forma mais estruturada. Hoje, no cenário nacional, são nove competições, cinco na categoria adulta e quatro competições de base. E a visibilidade está aqui. Essas atletas vão aparecer quando elas estão jogando”, afirmou.
A experiência foi lembrada no debate como exemplo da relação entre calendário, exposição das atletas e interesse do público. A discussão apontou que a visibilidade precisa estar acompanhada de competições regulares, formação de jogadoras e condições para a continuidade da carreira.
No debate da COB Expo, o legado foi tratado como um processo que começa antes da abertura do Mundial. A perspectiva envolve aproveitar a mobilização gerada pela competição para ampliar a formação, a participação de meninas e mulheres, a visibilidade das atletas e as oportunidades relacionadas ao futebol feminino.
Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte
A construção desse vínculo entre público, atletas e competições é considerada uma das condições para ampliar a presença nos estádios e consolidar o interesse pela modalidade.
Entre os pontos abordados esteve a importância de ampliar o conhecimento do público sobre a modalidade e suas atletas, fortalecer a realização regular de competições e criar condições para que mais meninas enxerguem o futebol também como possibilidade de formação e carreira.




