“Meu objetivo agora é retornar para o futebol aquilo que ele me deu: pegar as meninas a partir de cinco anos e ensinar para elas todos os fundamentos do futebol”, afirmou Patrícia.
Bárbara também destacou a sustentabilidade financeira como um dos desafios enfrentados pelos departamentos de futebol feminino. Nesse cenário, a visibilidade gerada pela Copa pode contribuir para aproximar novos públicos, ampliar o interesse de marcas e fortalecer projetos de longo prazo.
O Ministério do Esporte participou das discussões sobre o fortalecimento do futebol feminino no contexto da preparação para o Mundial. O encontro abordou, especialmente, o legado esportivo, econômico e social que pode ser construído a partir da realização da competição no Brasil.
Formação começa na infância
Mais mulheres também fora das quatro linhas
O WIFS reuniu ainda representantes de clubes como Grêmio, Fluminense, Santos e Flamengo, além de atletas, ex-atletas e profissionais de diferentes áreas do futebol. Projetos sociais e iniciativas de formação também integraram a programação, com experiências voltadas ao acesso de meninas à modalidade.
O Copa Delas surgiu em 2023, durante a Copa do Mundo Feminina disputada na Austrália e na Nova Zelândia. A iniciativa nasceu da proposta de ampliar a participação de mulheres nos comentários e análises sobre seleções, atletas e competições de futebol feminino.
“Nos preparamos agora para cada vez mais absorver atletas mais jovens, fomentar a categoria de base, fazer a visibilidade gerar torcida e fazer a visibilidade trazer grandes marcas”, afirmou.
Entre os temas discutidos estiveram a formação esportiva, a ampliação das oportunidades para meninas e mulheres, o fortalecimento do futebol feminino e a construção de um legado que permaneça depois da competição.
Para Marília, a presença feminina nesses espaços também pode estimular outras mulheres e meninas a enxergarem novas possibilidades profissionais.
Para a gestora, iniciar a formação mais cedo também ajuda a enfrentar uma diferença histórica entre meninas e meninos no acesso ao futebol. A proposta é criar oportunidades para que elas aprendam os fundamentos desde a infância e cheguem mais preparadas às categorias seguintes, inclusive para seguir no alto rendimento.
“Cada vez mais, tendo mulheres no local, no palco do jogo, inspira outras meninas e mulheres também. Eu não tinha mulheres narrando na minha geração, e hoje tem”, disse.
A preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027 também colocou em discussão a estrutura dos clubes e a necessidade de transformar a maior visibilidade da modalidade em oportunidades permanentes.
A jornalista e apresentadora da TV Brasil, Marília Arrigoni, criadora do podcast Copa Delas, destacou a comunicação esportiva como uma das áreas que podem ser impactadas pela maior visibilidade da modalidade.
Copa de 2027 amplia debate sobre base e sustentabilidade
A iniciativa oferece atividades gratuitas e prevê ampliar o atendimento de meninas desde a infância, inclusive no contraturno escolar. O objetivo é oferecer formação esportiva desde os primeiros contatos com a modalidade e permitir que as participantes percorram diferentes etapas de desenvolvimento.
Participaram do evento, pelo Ministério do Esporte, Raquel Ribeiro Martins, coordenadora-geral da Copa na Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 (SECOPA), e Miraildes Maciel Mota, a Formiga, diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino.
Legado para além de 2027
“Eu acho que vai ser mais um legado social que a Copa do Mundo Feminina no Brasil vai trazer com mais mulheres à frente das câmeras, comentando, reportando ou até narrando”, afirmou.
Executiva de Futebol Feminino do Grêmio, Bárbara Fonseca, apontou três frentes que podem ser impulsionadas no contexto do Mundial. As categorias de base, a formação de torcida e atração de novos investimentos.
Atletas, gestoras de clubes, profissionais da comunicação e representantes de projetos de formação se reuniram no Rio de Janeiro para discutir os caminhos do futebol feminino no Brasil. Realizado nos dias 14 e 15 de setembro, o Women’s International Football Summit (WIFS) 2026 abriu espaço para debates sobre formação de atletas, gestão, investimento, comunicação, impacto social e as oportunidades relacionadas à Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027.
A Copa do Mundo Feminina da FIFA será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Será a primeira edição da competição disputada na América do Sul. O torneio terá 32 seleções e oito cidades-sede - Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A abertura e a final serão disputadas no Maracanã, no Rio de Janeiro.
A ampliação das oportunidades para meninas começarem a jogar futebol desde cedo esteve entre os temas apresentados no encontro. A diretora do Aliança Futebol Clube, de Goiânia, Patrícia Menezes, apresentou a experiência do projeto Mulheres Sem Impedimentos, voltado à prática e à formação no futebol feminino.
A trajetória de Patrícia acompanha diferentes momentos do futebol feminino brasileiro. Ela começou a jogar em Goiânia em 1979, participou posteriormente da criação do departamento feminino do Atlético Goianiense e, em 1990, e é uma fundadoras do Aliança Futebol Clube.
Os possíveis legados da Copa de 2027 não se restringem às atletas. A presença de mulheres em diferentes profissões ligadas ao futebol também fez parte das discussões do WIFS.
Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte



