O IBGE divulgou hoje (24) novas informações sobre os povos indígenas do país, feitas a partir do Censo de 2022. Essa população vem aumentando de tamanho nos últimos anos e, cada vez mais, vivendo em cidades. Ao mesmo tempo, crescem também o número de etnias e de línguas faladas.
A imagem do indígena no meio da floresta não representa mais a maioria dessa população. Em 2022, mais da metade já vivia em cidades. E junto com esse processo de urbanização, vieram também outras mudanças. O Censo mostra que a quantidade de etnias ou povos catalogados pulou de 305, em 2010, para quase 400, em 2022.
De acordo com o IBGE, esse crescimento é explicado por uma maior autoafirmação dos indígenas e também por uma mudança na forma que a pesquisa é feita. Houve, por exemplo, a inclusão de grupos que vieram de países vizinhos.
Atualmente, os Ticuna são o povo mais numeroso, com 74 mil indivíduos. Os Kokama saíram da 17ª posição, em 2010, para o segundo lugar, em 2022. Depois vêm os Macuxi, os Guarani-Kaiowá, os Kaingang, os Terena, os Pataxó e os Guajajara. A cidade de São Paulo tem a maior quantidade de etnias registradas: quase 200. Depois vêm Manaus, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador.
O IBGE também registrou um aumento na quantidade de línguas indígenas faladas no país. Agora, são 295, 21 a mais do que em 2010. Mas, apesar disso, a proporção de pessoas que falam essas línguas continua diminuindo.
A pesquisa captou línguas faladas por grupos menores e até por uma única pessoa. O professor José Ribamar Bessa Freire estuda os povos originários há mais de 30 anos. Para ele, esse dado sobre o aumento na quantidade de línguas indígenas deve ser entendido com cautela. Segundo ele, com critérios linguísticos, está até diminuindo o número de línguas.
No Rio de Janeiro, um grupo luta há anos por demarcação de um território chamado Aldeia Maracanã, ao lado do estádio de futebol. E uma das formas de gerar pertencimento dos indivíduos pelo espaço é pelo ensino da língua.
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