Relatório de cinco agências da ONU mostra que cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome no ano passado. Conflitos armados, eventos climáticos extremos e dificuldades econômicas agravam o problema. O estudo destaca a importância da inovação para garantir alimentação a todos.
Para milhões de pessoas, a próxima refeição é uma incerteza. Mesmo com os avanços na produção de alimentos, a fome continua fazendo parte da rotina de famílias em diferentes continentes. A fome aguda atinge 266 milhões de pessoas em 47 países. O El Niño pode colocar outros 49 milhões em situação de insegurança alimentar aguda até 2027. Enquanto isso, mais de um bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas todos os anos.
Em Roma, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura destacou o papel da inovação no combate à fome. O Fórum Mundial da Alimentação reuniu propostas de investimento agroalimentar de cerca de 20 bilhões de dólares.
“A inovação não é apenas uma questão de tecnologia, mas de pessoas. É dar a elas condições de transformar as oportunidades da ciência em soluções e a esperança em ação”, afirmou Qu Dongyu, diretor-geral da FAO.
Em mensagem à FAO, o papa Leão XIV condenou o uso dos alimentos como arma de guerra. No Sudão, a guerra obrigou milhares de famílias a abandonar suas casas. Em um acampamento na cidade de Kosti, faltam alimentos, água potável e assistência humanitária. As crianças estão entre as mais vulneráveis. Makka Hassab Alnaby perdeu um filho de 12 anos. Os outros três estão gravemente desnutridos.
“Um dos meus filhos faleceu, e os outros três estão gravemente desnutridos devido à falta prolongada de comida”, conta ela.
No Iêmen, o cenário se repete. Famílias fogem dos conflitos e enfrentam dias de caminhada sem comida ou água suficiente. “Caminhamos por três dias seguidos para escapar. Nós e as crianças sofremos com uma fome e sede intensas. Tínhamos apenas alguns biscoitos para acalmar a fome das crianças”, desabafa Um Abeer, deslocada.
Além das guerras, os eventos climáticos extremos e os cortes na ajuda humanitária agravam a crise. Na Somália, a falta de recursos levou ao fechamento de centros nutricionais. E o risco de inundações ameaça ainda mais a produção de alimentos.
“E construindo sistemas alimentares globais e locais mais produtivos e resilientes. Juntos, vamos garantir que todas as pessoas, em todos os lugares, tenham acesso a alimentos seguros, nutritivos e a preços acessíveis”, dz António Guterres, secretário-geral da ONU.
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