Oito em cada dez escolas públicas e particulares do Brasil já discutem os impactos do uso das tecnologias na saúde mental dos estudantes. É o que mostra a mais recente pesquisa TIC Educação, que mede o uso de internet e tecnologia no Brasil.
Maria Clara Vieira de Souza é aluna de cursinho pré-vestibular. O sonho é ser médica, para isso, sabe que na hora de estudar precisa fazer um bom uso das telas. “Você precisa focar, você sabe que você tem que focar. Acho que você tem que deixar ele de lado se não conseguir desligar”, afirma a estudante.
Neste cursinho pré-vestibular, a recomendação é clara: é preciso evitar os aparelhos de celular e focar na aula. “Nós aprendemos de três maneiras básicas: vendo, ouvindo, fazendo. Então, numa sala de aula você vê seu professor, você ouve o que ele fala e você escreve, você pode copiar a lousa, você pode fazer pequenos resumos, enfim, e muitas vezes a utilização da tela impede isso daí ou dificulta esse processo”, explica o coordenador pedagógico João Pitócio.
O levantamento realizado pelo Cetic.br com mais de 2,4 mil gestores de escolas públicas e particulares mostra que 80% das instituições de ensino discutiram, no ano passado, os impactos do uso das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes. Um crescimento de 18 pontos percentuais em relação ao ano anterior, quando o índice era de 62%.
O estudo também aponta um aumento no diálogo com as famílias e os professores sobre o uso da tecnologia: 75% das escolas promoveram reuniões com pais e responsáveis e 86% discutiram o assunto com os profissionais da educação.
Apesar do avanço no debate, implementar medidas concretas ainda é um desafio. Apenas 65% das escolas desenvolveram no ano passado projetos de educação digital. Dentre as principais dificuldades estão a participação das famílias e a falta de recursos.
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