A disputa ao governo do estado do Rio de Janeiro segue indefinida até o julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da candidatura sub judice de Anthony Garotinho, do Republicanos. Ele ficou em terceiro lugar na disputa, com 3,17% dos votos. Nessa segunda-feira (5), Garotinho informou que desistiu de recorrer ao TSE, o que pode abrir caminho para uma vitória de Douglas Ruas, do PL, em primeiro turno.
Anthony Garotinho foi condenado por improbidade administrativa por desvio de verbas da área da saúde no período em que foi secretário de governo na gestão da esposa, a ex-governadora Rosinha. Uma das sanções da sentença é a inelegibilidade por oito anos. Segundo Garotinho, o período já foi cumprido e o prazo da punição teria se encerrado em 2018.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro havia decidido pela inelegibilidade de Garotinho até 2033 com a cobrança de uma dívida. O candidato do Republicanos recorreu à instância superior, o Tribunal Superior Eleitoral, e concorreu ao governo estado do Rio de Janeiro em 2026. No primeiro turno obteve mais de 274 mil votos numa candidatura sub judice. Depois de ter ficado em terceiro lugar na contagem de votos, Garotinho resolveu desistir do recurso ao TSE.
“Em função do resultado manifesto pela população nas urnas não me resta outra opção jurídica a não ser desistir de forma livre, expressa e consciente do recurso, deixando para o povo arcar com as consequências das escolhas que fizeram”, afirma Anthony Garotinho.A desistência de Garotinho coloca em dúvida se haverá ou não segundo turno na disputa ao governo do Rio. Se a Justiça Eleitoral anular os votos ao candidato do Republicanos, Douglas Ruas poderia ser declarado eleito no primeiro turno após a recontagem, já que, nesse caso, teria alcançado a maioria dos votos válidos. Garotinho disse que desistir do recurso foi uma decisão política já que os votos que obteve foram insuficientes para levá-lo ao segundo turno.
A defesa do ex-governador acrescenta que se trata de uma decisão livre, expressa, consciente e irretratável. Garotinho disse que, em caso de segundo turno, não vai apoiar nenhum dos concorrentes.
Os concorrentes ao governo do estado se manifestaram sobre a decisão de Garotinho.
“Eu tenho muita tranquilidade e confiança na justiça que muito em breve, mas muito em breve mesmo vai ser solucionado e a justiça vai proclamar o resultado com Douglas Ruas eleito no primeiro turno", diz Douglas Ruas.
Eduardo Paes diz: "eu espero de verdade que a decisão do povo do Rio de Janeiro seja respeitada e haja segundo turno. Tão tentando tirar o seu poder de dizer quem vai ser ou não o governador e transferir pro Garotinho esse poder".
O ministro Floriano Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, não homologou de imediato a desistência de Garotinho no processo. O magistrado determinou que a Procuradoria Geral Eleitoral se manifeste em até dois dias sobre o pedido do ex-governador do Rio. No recurso. Garotinho também pedia manutenção dos direitos da candidatura como acesso aos fundos partidário e eleitoral, propaganda eleitoral gratuita e nome na urna, pedidos que, segundo o ministro, perderam objeto com a conclusão do primeiro turno.
De acordo com Rodrigo Brandão, professor de Direito Constitucional da UERJ, “o fato é que, enquanto o TSE não julgar, por enquanto os votos estão computados; então, no momento atual haverá segundo turno".
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