Relatos evidenciam impacto da violência política
Janara destacou ainda que 40% das vítimas de violência digital sofrem ataques praticados por agressores íntimos. Ela ressaltou que o Decreto nº 12.976/2026, que estabelece o dever de cuidado das plataformas digitais, representa um avanço para responsabilizar empresas pela prevenção de ataques coordenados e pela redução da circulação de conteúdos violentos. Também apresentou a campanha "O Digital é o Nosso Lugar" , que reúne orientações para registro de denúncias e preservação de provas.
"Trabalhar com equidade de gênero e raça é uma ação concreta. Nós não teremos uma sociedade democrática, nós não teremos uma sociedade onde possamos viver dignamente, sobretudo nós mulheres", afirmou. Ela também conclamou prefeitas, vereadoras e deputadas a levarem as diretrizes de equidade para seus territórios e a enfrentarem iniciativas legislativas que restrinjam direitos das mulheres.
Ao defender o fortalecimento das redes de apoio entre mulheres na política, Camila destacou: "Que possamos sair daqui mais fortalecidas para enfrentar as próximas eleições e os misóginos no Parlamento e para que possamos disputar a democracia de forma igual."
O Ministério das Mulheres encerrou, nesta terça-feira (30), em Brasília, o Encontro Nacional de Parlamentares Municipais e Estaduais do Brasil – Mais Mulheres, Mais Direitos. Durante dois dias, parlamentares municipais, estaduais e federais de todas as regiões do país debateram estratégias para fortalecer a participação política das mulheres, enfrentar as violências de gênero, ampliar a transversalidade das políticas públicas e consolidar a atuação em rede entre os parlamentos de todo o país para fortalecer a participação feminina nos espaços de poder
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Na parte da tarde, o encontro foi dedicado aos debates sobre integração das políticas públicas e articulação entre parlamentares de diferentes esferas legislativas. As mesas "Intersetorialidade e Transversalidade: mulheres no centro das políticas públicas" e "Parlamentares em rede na construção de mais políticas e mais direitos para as mulheres" discutiram estratégias para incorporar a perspectiva de gênero às ações governamentais e ampliar a cooperação entre mandatos em todo o país.
Construção coletiva de políticas públicas
Segundo Sandra Kennedy, a existência do ministério é resultado da mobilização histórica do movimento de mulheres e representa um passo importante para consolidar políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.
O debate também foi marcado pelos relatos de parlamentares que vivenciaram episódios de violência política de gênero. A vereadora Raquel Auxiliadora, de São Carlos (SP), compartilhou a experiência após ser alvo de ofensas durante o exercício do mandato. O caso tramita na Justiça Eleitoral, e a parlamentar recorre da decisão que absolveu o acusado da imputação de violência política de gênero.
Ao longo do segundo dia, as discussões tiveram início com os painéis "Enfrentamento à Violência Política contra as Mulheres: Guia de Direitos e Protocolo de Enfrentamento" e "Enfrentamento às Violências de Gênero e Raça contra as Mulheres: ampliar direitos e proteger vidas". À tarde, o encontro prosseguiu com as mesas "Intersetorialidade e Transversalidade: mulheres no centro das políticas públicas" e "Parlamentares em rede na construção de mais políticas e mais direitos para as mulheres", voltadas ao fortalecimento da atuação conjunta entre os diferentes níveis do Legislativo.
"A violência digital nos silencia, nos tira esse protagonismo porque ela dá medo. Quando a violência política se une à digital, ela é letal; ela é desenhada para atingir o coletivo e fazer com que a mulher desista de estar nos espaços de poder", ressaltou.
Também participou da mesa a deputada estadual Camila Valadão, que sofreu ataques misóginos durante seu mandato como vereadora de Vitória (ES). O episódio resultou em denúncia do Ministério Público e tornou réu o então vereador responsável pelas agressões, acusado de utilizar violência política de gênero e injúria racial para tentar impedir o livre exercício do mandato da parlamentar.
“A violência digital é letal”
Durante o painel sobre violência política contra as mulheres, a secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, destacou que incorporar as perspectivas de gênero e raça à formulação de políticas públicas e às legislações é uma condição para o fortalecimento da democracia e alertou para a necessidade de impedir retrocessos em estados e municípios.
Outro tema de destaque foi a violência digital como instrumento de intimidação e afastamento das mulheres da vida pública. A pesquisadora e chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério das Mulheres, Janara Sousa, afirmou que os ataques nas plataformas digitais produzem um efeito coletivo de silenciamento.
Mais Mulheres, Mais Direitos: encontro em Brasília reúne parlamentares de todo o país para fortalecer a participação feminina nos espaços de poder
O painel de encerramento foi dedicado aos encaminhamentos apresentados por parlamentares de diferentes regiões do país. As contribuições servirão de base para o aperfeiçoamento de políticas públicas com recorte de gênero, ampliando o acesso das mulheres aos espaços de poder e decisão e fortalecendo a democracia.
Realizado pelo Ministério das Mulheres, com apoio da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Encontro Nacional de Parlamentares Municipais e Estaduais integra as ações do Governo Federal voltadas ao fortalecimento da participação das mulheres nos espaços de poder e decisão, por meio da articulação entre os diferentes níveis do Legislativo e da construção conjunta de políticas públicas comprometidas com a igualdade de gênero.
A secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política, Sandra Kennedy, resgatou a trajetória institucional das políticas públicas para as mulheres no Governo Federal. Ela lembrou a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, em 2003, sua transformação em ministério, as mudanças ocorridas nos anos seguintes e a recriação do Ministério das Mulheres, em 2023.





