Segundo Eunice Cerqueira, coordenadora de Facilitação da Infraero, o objetivo é garantir que os passageiros encontrem um ambiente verdadeiramente acessível. "Queremos proporcionar aos passageiros um ambiente mais acolhedor, garantindo um espaço onde eles possam se autorregular enquanto aguardam o horário do voo."
Entre os usuários do espaço está a estudante Melissa de Souza, que conhece bem os desafios causados pelo excesso de estímulos em ambientes movimentados. Para ela, a existência de um local preparado para oferecer conforto e segurança faz toda a diferença. "Ter um lugar para deitar-se, buscar uma posição confortável, realmente é muito bom."
O impacto dessas iniciativas também é percebido por quem trabalha diretamente no atendimento aos passageiros. No Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, os profissionais enxergam a sala como um instrumento de inclusão, acolhimento e pertencimento.
Esse acolhimento não se limita à infraestrutura. O programa prevê a capacitação das equipes aeroportuárias para oferecer um atendimento atento, empático e personalizado aos passageiros neurodivergentes. Guias, cartilhas e treinamentos foram desenvolvidos para orientar os profissionais da aviação e contribuir para uma experiência mais inclusiva em todas as etapas da jornada.
Acesse a lista de aeroportos com salas sessoriais disponíveis.
A história dos dois se mistura à de milhares de famílias brasileiras que convivem diariamente com os desafios do espectro autista. Mais do que uma estrutura física, a sala multissensorial representa um ponto de apoio em meio à intensidade do ambiente aeroportuário. "E o bom dessa sala multissensorial é que os pais também descansam", conta Mariana. "Os pais acabam se regulando junto com a criança. A gente consegue acompanhar o horário do voo e não perde o embarque."
Mais do que adaptar aeroportos, a iniciativa busca promover uma mudança de cultura. Transformação que reconhece a inclusão não como um serviço complementar, mas como parte essencial da experiência de viajar. São avanços que podem parecer simples à primeira vista, mas que carregam um significado profundo para milhares de famílias. Afinal, quando uma pessoa consegue embarcar com mais autonomia, segurança e tranquilidade, o que está sendo garantido vai muito além do acesso ao transporte.
Para Mariana Lima, mãe de Diogo Lima, de 6 anos, os resultados dessa política pública podem ser percebidos em algo simples, mas extremamente valioso: a tranquilidade de viajar. "Viajar com o Diogo sem ter essa sala para facilitar, para ele se regular, é de fato uma loucura", relata. Segundo ela, situações comuns em um aeroporto podem ser gatilhos para o filho. "Quando tem muita gente, muito barulho, muita correria, quando ele sente que a gente está nervoso porque atrasou ou porque vai chegar atrasado, ele fica muito nervoso".
Uma das principais ações do programa é a implantação de salas multissensoriais nos aeroportos do país. A meta inicial de instalar 20 unidades até 2026 já foi superada. Atualmente, o Brasil conta com 22 espaços em funcionamento e 11 locais de acomodação, além de outras oito unidades previstas até 2027.
Hoje, a realidade é diferente. Antes de embarcar, a família encontra um ambiente preparado para acolher suas necessidades. Um espaço pensado para reduzir estímulos, oferecer previsibilidade e permitir que Diogo se organize emocionalmente antes da viagem.
"Eu vejo a Sala Multissensorial com uma importância muito grande, não só aqui no Santos Dumont, mas em todos os aeroportos", afirma a estagiária de pedagogia, Caroline Martins.
Luzes intensas, avisos sonoros constantes, filas, movimentação acelerada e mudanças na rotina fazem parte da dinâmica dos aeroportos. Para quem convive com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse percurso pode representar um desafio tão significativo quanto o próprio destino. pois o conjunto de estímulos pode desencadear sobrecarga sensorial, ansiedade e situações de grande estresse em passageiros neurodivergentes, transformando um momento que deveria ser de alegria em uma experiência difícil para toda a família.
Assessoria Especial de Comunicação Social Ministério de Portos e Aeroportos
Pensando nesses passageiros, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) desenvolveu o Programa de Acolhimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista . A iniciativa busca tornar a aviação brasileira mais acessível, inclusiva e humana, colocando as necessidades das pessoas no centro da experiência de viagem.
Para Daniel Correia da Silva, que atua no atendimento aos usuários do espaço, os benefícios vão muito além do conforto. "Não é só a questão de passar um tempo até o horário do voo. É acolher aquela pessoa, fazer com que ela se sinta pertencente àquele ambiente."




