Noventa e cinco famílias de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar receberam, nesta terça-feira (30), as certidões de óbito de seus familiares corrigidas. Nos documentos, a causa da morte foi retificada para "ação violenta do Estado".
Quantas lágrimas choraram pais e mães pelos filhos mortos ou desaparecidos durante a ditadura militar de 1964? Incontáveis noites sem dormir, sonhando onde poderiam estar ou o que teria, de fato, acontecido.
"O meu pai faleceu um ano e meio depois. Meu pai já era cardíaco e não suportou, né? E minha mãe segurou sozinha a luta pela reparação. É um processo que entrou na justiça”, relata Miguel Ferreira Nin, irão de Raul Amaro Nin.
A busca dos pais virou missão de vida passada aos irmãos.
"Joel já era um garoto de 19 anos, fazia parte do PCdoB e, até hoje, a gente não tem os restos mortais do meu irmão. Ele permanece desaparecido, embora eu já esteja recebendo o óbito com toda a responsabilidade do Estado”, conta Altair Vasconcellos, irmã de Joel Vasconcellos.
Vera Paiva, filha de Eunice e Rubens Paiva, também faz seu relato. “Minha mãe foi da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, como eu hoje sou. O mais importante é expandir a visão de que não foi só com a gente. Aquilo é um caso, tá certo, entre milhares, na verdade.
Muitos receberam, na época, atestados de óbito que não representavam a verdade. Mas hoje, parte desse erro está sendo reparado. Na solenidade de entrega das certidões de óbito retificadas das pessoas mortas e desaparecidas durante a ditadura militar, estiveram presentes parentes dessas vítimas do Estado brasileiro.
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