No Oriente Médio, petroleiros começaram a cruzar o estreito de Ormuz após o acordo de paz temporário assinado na quarta-feira (17) pelos Estados Unidos e o Irã. Apesar de estar incluído na trégua, o Líbano, no entanto, voltou a ser alvo de ataques israelenses nesta manhã, colocando dúvidas sobre a efetividade do acordo.
Três navios com bandeira saudita, transportando 6 milhões de barris de petróleo bruto, navegaram pelo estreito de Ormuz nesta manhã, horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assinarem um acordo de trégua no conflito que interrompeu o fluxo global de energia.
O memorando dá início a um período de negociação de 60 dias para se chegar a um acordo final sobre a guerra, iniciada por Trump em fevereiro juntamente com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Israel, no entanto, foi excluído das negociações.
Entre os pontos estabelecidos no acordo estão: o fim imediato e permanente da guerra, incluindo no Líbano; a suspensão do bloqueio naval do Irã por parte dos Estados Unidos, que também se comprometeram a retirar suas forças militares da região ao redor do Irã em até 30 dias. Em troca, o Irã se compromete a reabrir o estreito de Ormuz e a garantir passagem segura e sem custos de navios comerciais.
Os Estados Unidos também se comprometem, junto com seus parceiros regionais, a criar um programa para reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã, com financiamento mínimo de US$ 300 bilhões. Além de encerrar todos os tipos de sanções contra o Irã, incluindo resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica.
O Irã, por sua vez, concordou em não adquirir nem desenvolver armas nucleares. Quanto ao urânio enriquecido já existente no país, as duas partes concordaram em, posteriormente, diluir o material sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica.
Embora o memorando peça explicitamente o fim permanente da guerra no Líbano e a garantia de sua integridade territorial, forças israelenses voltaram a lançar ataques aéreos contra o sul do país nesta manhã. Israel defende que os ataques buscam neutralizar a infraestrutura do Hezbollah e insiste em manter suas tropas posicionadas no que descreve como uma zona tampão, ao sul do rio Litani, que atravessa o sul do Líbano.
Trump, por sua vez, tem criticado publicamente seu aliado, Benjamin Netanyahu, pela ofensiva no Líbano que coloca em risco o acordo de cessar-fogo.
Os primeiros ataques, no dia 28 de fevereiro, atingiram ao menos 10 cidades e visaram, principalmente, a liderança iraniana. O primeiro a ser eliminado foi o aiatolá Ali Khamenei, que como líder supremo desde 1989 consolidou um controle férreo sobre o país. Mojtaba Khamenei, escolhido sucessor dias depois, ficou ferido nesses bombardeios, e perdeu parte da família. Na sequência, Israel e Estados Unidos bombardearam instalações militares e estruturas nucleares do Irã.
Um dos piores ataques no início da guerra matou mais de 168 crianças, a maioria meninas, em uma escola iraniana. Os Estados Unidos alegaram que no local funcionava uma base ativa de mísseis.
No início de março, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, levou a guerra para o sul do Líbano com bombardeios a posições do Hezbollah, grupo militante xiita aliado do Irã, que havia lançado mísseis sobre Tel-Aviv e outras cidades de Israel. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 3.300 pessoas morreram em consequência dos ataques israelenses a cidades e vilarejos. Os feridos somam mais de 10 mil. Dezenas de milhares de libaneses foram obrigados a deixar a região.
A capital do Irã, Teerã, também foi alvo da aviação de Israel, com pelo menos 110 ataques logo nos primeiros dias da guerra. O regime iraniano respondeu com bombardeios a bases militares americanas nos países do Golfo e fechou o estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta. O fechamento do estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, fez explodir os preços do barril, que chegou a ser cotado a US$ 120. Esse aumento repentino afetou negativamente as economias em todo o mundo.
Sem conseguir vencer a queda de braço pela reabertura da estratégica passagem, os Estados Unidos impuseram um bloqueio no estreito e nos portos iranianos. A Guarda Revolucionária do Irã atacou petroleiros que tentaram forçar a passagem. Os Estados Unidos também destruíram embarcações iranianas.
O cessar-fogo veio no dia 16 de abril, mas nunca foi respeitado por nenhum dos lados em conflito. Do lado israelense e norte-americano, foram mais de 100 ataques no primeiro mês do cessar-fogo, todos respondidos pelo Irã. Os custos da guerra repercutiram na popularidade do presidente Donald Trump. A aprovação oscilou entre 33% e 35%, enquanto a desaprovação bateu mais de 60%, os piores índices do seu segundo mandato na Casa Branca.
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