A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (18), mais uma etapa da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias no sistema bancário envolvendo o Banco Master. Os alvos de hoje foram um ex-diretor do banco, Augusto Lima, e o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A PF aponta que o senador teria atuado em defesa de interesses do Banco Master no Congresso, em troca de vantagens indevidas.
Agentes da Polícia Federal cumpriram 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Na capital federal, a PF apreendeu US$ 49 mil dólares em espécie, cerca de R$ 250 mil, em endereço ligado ao senador.
A operação investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e aponta que o senador teria recebido vantagens indevidas do ex-diretor do banco Master, Augusto Lima, como um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões, além de repasses de R$ 5,8 milhões a empresas ligadas à família do senador.
Em troca, os investigadores suspeitam que Jaques Wagner teria apresentado emenda que previa o aumento da margem consignável para celetistas, aposentados, pensionistas do INSS e beneficiários do BPC, além de atuação em projeto sobre o aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e sobre a fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB.
Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela PF hoje eram desnecessárias uma vez que ele está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração. Segundo a defesa, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos são rigorosamente lícitos e que Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas do sistema financeiro e da administração pública.
O governo defendeu o avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master sejam quais forem os alvos e que os investigados tenham direito à ampla defesa.
Hoje à tarde, em entrevista exclusiva à Band News, o senador Jaques Wagner disse que se encontrou com Daniel Vorcaro apenas duas vezes, que segue com o cargo de líder do governo no Senado e que o dinheiro encontrado seria utilizado em viagens. Disse ainda que o apartamento citado teria sido comprado por Augusto Lima para investimento e seria recomprado pelo senador. Também afirmou que o governo votou contra a ampliação do Fundo Garantidor de Créditos, que beneficiaria o Banco Master.
“Repare, o governo foi contra, eu como líder do governo encaminhei contra essa emenda de ampliação do fundo garantidor. As palavras do Augusto Lima, que eu sinceramente não me lembro, mas que foram relatadas por alguém, para a Polícia Federal, que abriu o telefone dele, na minha opinião, o que ele quer dizer é que eu conheço a história dele. Sim, conheço. Ele era vendedor de consignado, era uma pessoa que trabalhava e que resolveu adquirir a rede de supermercado estatal Cesta do Povo, que era um trambolho que eu recebi dos governos anteriores, que a gente privatizou e foi junto o cartão”
“Sobre o apartamento, na verdade, é um apartamento que está em construção, aqui no Horto. Eu tinha interesse de dar um apartamento ou de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele, você pode comprar, depois eu vou recomprar, porque o apartamento está em construção, não está pronto. E eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar e pagar o apartamento ou ela financiar. Então, não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim. Eu não tenho, vou repetir, nenhum negócio com o Master.
No início da noite o senador Jaques Wagner também publicou uma nota. Disse que não é réu, que não foi conhecido e nem acusado. Ele voltou a negar atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira. E disse também que acompanha com tranquilidade o andamento das investigações, que mantém a confiança na condução delas e que permanece à inteira disposição das autoridades.
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