Mostra segue em cartaz até o dia 18 de setembro, na Galeria Massangana
As cores, os sons e as texturas que fazem parte da tradição Fulni-ô compõem a nova exposição da Galeria Massangana da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Campus Gilberto Freyre, em Casa Forte. A mostra “Toré Virtual: imersão no canto e dança de origem ancestral” recebe visitação gratuita a partir desta quarta-feira (19) e celebra a diversidade da cultura Fulni-ô. Com título original em língua Yaathe, idioma próprio do povo Fulni-ô, Uxil’nexa D’manedwa: sekhletxase tole seka tx’txo ya khet’totwade, a exposição propõe uma jornada estética e multissensorial pelos saberes do povo Fulni-ô, de Águas Belas, no Agreste do estado.
Na sala, retratos 3D de mestres e jovens em movimento ritual, maracás, xanducas e artesanatos, pinturas, projeções do território em Ouricuri e sons se unem aos óculos de realidade virtual que transportam o visitante para uma experiência onde a arte, o cinema e as memórias tradicionais são centrais. Para Nadja Tenório, coordenadora Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade (Cehibra/Fundaj), a exposição é “uma imersão da cultura, das tradições Fulni-ô e um resgate da ancestralidade, além da possibilidade de manter vivas a memória e tradição do povo”. Com curadoria de Hugo Fulni-ô, Carol Berger e Rose Lima, a mostra propõe um mergulho sensível na ancestralidade a partir de linguagens tecnológicas, como realidade virtual em 360º, videoinstalações e relíquias digitais.
Segundo Rose, o gesto curatorial busca criar um elo entre o visível e o invisível, entre o território e a imagem, entre tradição e presença expandida. “A exposição se coloca como um espaço de escuta ativa e de reconexão com a diversidade dos modos de existência que sustentam a salvaguarda da herança cultural, garantindo uma abordagem de preservação e resgate de nossa sociobiodiversidade”, afirma.
Um dos destaques da exposição é o documentário em realidade virtual “Toré Virtual – Uxil’nexa D’manedwa”, filme imersivo no ritual do Toré de Buzo, gravado em 360 graus, dirigido pelo cineasta e roteirista Hugo Fulni-ô, com codireção de Carol Berger. Com nove minutos de duração, a obra conduz o público ao território sagrado do Ouricuri, em Águas Belas, no Agreste pernambucano, por meio da força sensorial do Toré — dança ritualística do povo Fulni-ô.
Pesquisadora das Línguas Indígenas no Mato Grosso, Chiquinha Paresí celebrou a tecnologia a serviço da preservação e difusão do conhecimento. “A exposição ajuda a gente a compreender o universo indígena do povo Fulni-ô, principalmente suas danças, significados e a importância do toré para o povo, não só na questão da identidade, mas como vida”, destacou.
A mostra fica em cartaz até 18 de setembro, com visitação de segundas a sextas, das 9h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. Visitas mediadas e recursos de acessibilidade estão disponíveis para garantir um melhor aproveitamento do conteúdo exposto na galeria. A exposição, que é realizada pela Fundaj em parceria com a Associação Brasileira de Linguística (https://abralin.org/), integra a programação do IV Seminário Internacional Viva Língua Viva, que acontece na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

