A atividade consiste na produção de um mural na Sala de Leitura Nilo Pereira
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) realiza, nesta semana, mais uma atividade preparatória para a exposição “Iranti: ancestralidade viva e contínua”, que será aberta ao público no próximo dia 24 de abril, às 18h30. A ação ocorre no Campus Ulysses Pernambucano, no Derby, e integra um projeto colaborativo no âmbito do Curso de Especialização em Arte e Educação em uma Perspectiva Descolonizadora, realizado pela Diretoria de Formação Profissional e Inovação.
A atividade consiste na produção de um mural na Sala de Leitura Nilo Pereira, conduzida pela aluna Larissa Guedes de Oliveira. Intitulado “Cores da Terra: o uso da geotinta como recurso didático”, o trabalho está em processo e tem como eixo temático o rio Tapajós e as populações que vivem em seu entorno, articulando questões ambientais, culturais e sociais. “A pintura do mural representa o rio Tapajós e as comunidades ribeirinhas, populações que vivem da subsistência desse rio, que é fundamental para esses territórios”, afirma Larissa.
A proposta também dialoga diretamente com os conteúdos trabalhados na especialização, voltados à valorização de saberes tradicionais e à construção de práticas pedagógicas comprometidas com perspectivas descolonizadoras. “O objetivo é colocar em pauta o que discutimos no curso, dando visibilidade aos povos originários e aprofundando o conhecimento sobre suas culturas e territórios”, destaca.
Do ponto de vista técnico, o trabalho se baseia no uso de geotintas, produzidas a partir de pigmentos naturais extraídos do solo, além de tintas de origem vegetal. “Todo o painel está sendo feito com geotinta, a partir de pigmentos minerais encontrados nos solos brasileiros, além de tintas vegetais como jenipapo, urucum e cúrcuma, explorando a diversidade de cores da natureza”, explica a estudante. O uso desses materiais integra uma abordagem que articula arte, educação e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que valoriza práticas ancestrais de produção de cor. A diversidade de pigmentos utilizados no mural evidencia a relação entre território, natureza e expressão artística.
Como parte do processo, Larissa também prevê a utilização de rocha proveniente de Brumadinho, extraída antes do rompimento da barragem, ocorrido em 2019. A incorporação desse material ao mural se configura como um gesto de denúncia, evocando os impactos socioambientais associados ao desastre.
“A exposição ‘Iranti – Ancestralidade Viva e Contínua’, ao mobilizar narrativas visuais e saberes ancestrais, fortalece perspectivas descolonizadoras na formação acadêmica, valorizando experiências coletivas e saberes diversos”, afirma Ana Sousa Abranches, diretora de Formação Profissional e Inovação (Difor) da Fundaj.
Segundo ela, a parceria com o MultiHlab – Laboratório Multiusuário em Humanidades, projeto de extensão do ProfSocio, foi fundamental para a realização do evento: “Nesta atividade, houve integração entre as diretorias Difor e Dimeca na construção de um trabalho acadêmico e coletivo. Dessa forma, por meio de produções interdisciplinares resultantes de debates entre diferentes áreas do conhecimento, a mostra amplia a compreensão crítica e contribui significativamente para a formação de profissionais mais sensíveis, críticos e comprometidos com a transformação social”.
A realização do mural dá continuidade a uma série de ações preparatórias que vêm sendo desenvolvidas ao longo do curso. No dia 9 de abril, por exemplo, foram realizadas atividades culturais no pátio do Campus Ulysses Pernambucano, que resultaram na produção de material audiovisual para a exposição. Essas iniciativas fazem parte de um processo formativo que articula prática artística, pesquisa e experimentação, envolvendo diferentes linguagens e suportes.


