O Estado brasileiro reconheceu violação de direitos humanos em dois casos de violência policial no Rio de Janeiro e assinou perante o Ministério dos Direitos Humanos, a Justiça Global e outros representantes, dois acordos de reparação para essas famílias. A cerimônia acontece na sede do Ministério Público do Rio.
Um dos casos foi há 20 anos e envolveu José Carlos da Silva, um jovem negro de 35 anos que estava custodiado no Complexo Penitenciário de Bangu e morreu torturado por agentes penitenciários. Os familiares relatavam que, enquanto estava custodiado pelo Estado, o jovem escreveu diversas cartas relatando torturas que resultaram até em traumatismo craniano.
O Ministério Público do Rio de Janeiro assumiu o compromisso de fortalecer a investigação e também a punição dos responsáveis em caso de violações de direitos humanos dentro do sistema prisional.
O outro caso aconteceu há 30 anos. Foi durante uma operação policial na comunidade de Acari, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Duas crianças foram baleadas e o pequeno Maicon de Souza da Silva, de dois anos, morreu. A família do Maicon recebeu da Polícia Civil do Rio de Janeiro um documento comprovando que a causa da morte foi intervenção de agente do Estado.
“Isso, pra mim, tava me incomodando no longo dos anos. Foi minha saúde embora e hoje fico feliz saber que eu recebi essa placa do Ministério Público, dos Direitos Humanos, eu e a mãe do Maicon. E tamo aí, é, para as pessoas não, jamais desistir, as pessoas que lutam”, afirmou o pai de Maicon, José Luiz Faria da Silva.
“Esse pedido de desculpas, ele se deu a partir de muita luta, muita resistência das famílias, de organizações, de movimentos sociais, de mães e familiares de vítimas que, em nenhum momento, se calaram ou se cansaram diante da luta por justiça”, destaca Gláucia Marinho, diretora executiva da Justiça Global.
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