Formação de professores e boas práticas educacionais marcam o terceiro dia de reunião do CNE na Fundaj
Atividades são realizadas no Campus Gilberto Freyre, em Casa Forte Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
11/10/2025 10h36
O terceiro dia da Reunião Ordinária Pública Itinerante do Conselho Nacional de Educação (CNE), realizado nesta quarta-feira (8) na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), teve debates sobre experiências exitosas em educação, mesa sobre formação e reunião pública da Câmara de Educação Superior. O encontro segue até amanhã (09/10).
Confira a cobertura do primeiro e segundo dia:
Pela manhã, a Mesa 3 abordou o tema “Experiências exitosas de Educação Integral em Tempo Integral”. Mediada por Heleno Araújo, conselheiro vice-presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, a mesa contou com a participação de Alexsandro Santos, diretor de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica do MEC; Jesanias Rodrigues de Lima, secretário de Educação de Itapissuma (PE); e Cecília Cruz, secretária municipal de Educação do Recife.
Alexsandro Santos comentou sobre as condições ideais para uma escola em tempo integral de qualidade. “A sociedade brasileira já decidiu que quer mais escolas em tempo integral, quer mais estudantes estudando em tempo integral. Mas nós (Ministério da Educação) também tomamos a decisão de que queremos qualidade social da educação. É aqui que está nosso compromisso. Isso que diferencia uma perspectiva democrática e popular da educação. Não basta expandir matrícula e dar uma escola ruim para todos. É expandir a matrícula considerando que temos o dever de fazer uma escola boa para todos”, contou.
Em seguida, a reunião da Câmara de Educação Superior do CNE deu posse aos dirigentes eleitos em agosto de 2025, por unanimidade, para mandato de um ano, vigente a partir deste mês de outubro. Tomaram posse o novo presidente da Câmara, Otávio Rodrigues Jr., e a nova vice-presidenta, Maria Paula Dallari Bucci.
Por fim, a Mesa 4, realizada na Sala Calouste Gulbenkian, abordou a “Estratégia Nacional de Formação de Professores”, com as pesquisadoras Bernardete Gatti e Malvina Tuttman, sob moderação de Cesar Callegari, presidente do CNE. Estiveram presentes na mesa a presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar, representando a Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae); a conselheira da Câmara de Educação Superior (CES/CNE), Maria Paula Dallari; e a conselheira da Câmara de Educação Básica (CEB/CNE), Márcia Sebastiani.
Na ocasião, houve uma apresentação remota de Bernardete Gatti, que fez uma explanação aprofundada sobre os desafios da formação inicial e continuada. Entre as preocupações apresentadas por ela esteve a expansão do ensino a distância. “A proporção de EAD nas IES privadas é quase total. Isso se dá porque a expansão da EAD se deu de forma descontrolada e pouco avaliada. Muitos presenciais migraram para EAD por questões de mercado; a concorrência na oferta de EAD se intensificou nos últimos 10 anos.” Bernardete defendeu, ainda, a necessidade de avançar em consensos sobre currículo, garantir identidade e qualidade das licenciaturas e estimular a integração institucional.
Malvina Tuttman, presidenta da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope), reforçou a necessidade de políticas que valorizem a formação docente e as condições de trabalho. “A Anfope defende uma formação docente articulada, que valorize a autonomia das universidades e institutos federais, assegure planos de carreira estruturados e remuneração justa, e faça da formação dos professores parte de um projeto maior de valorização da educação pública.” E acrescentou: “Não há plano que resista à falta de orçamento. É urgente garantir recursos adequados.”
A presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar, colocou a formação docente no centro de uma perspectiva emancipadora e integrada à pesquisa e à gestão democrática. “A formação dos profissionais da educação deve ter uma base comum, fundamentada na pesquisa, na gestão democrática e na articulação entre formação inicial e continuada. Essa perspectiva precisa ser emancipadora, voltada para a formação humana, e não restrita a metas e resultados que pressionam e desvalorizam o trabalho docente.”
“Não é possível discutir formação sem tratar das condições de trabalho e valorização. Sem concursos públicos, com vínculos precários e salários desiguais, qualquer avanço se torna limitado. Precisamos fortalecer o Plano Nacional de Educação e garantir que ele seja o eixo estruturante das políticas de Estado para uma educação pública de qualidade”, completou Márcia Angela.
A professora Márcia Aguiar representou também a Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae), trazendo mensagem do presidente Luiz Dourado, que enfatizou a contribuição histórica desta entidade na construção de políticas e gestão da educação no país e destacou as contribuições entregues ao Congresso Nacional para aperfeiçoamento do Plano Nacional de Educação e do Sistema Nacional da Educação.
Categoria Ferramentas de apoio à gestão
Tags: Pernambuco

