Oficina de tipografia aconteceu no Campus Recife, por meio da Gráfica Escola do IFPE
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) promoveram nesta terça-feira (28) uma oficina de tipografia inspirada no Movimento de Cultura Popular (MCP), fundada em Recife na década de 1960. Realizada por meio da Gráfica-Escola do IFPE, a oficina teve como objetivo possibilitar que os alunos contribuam , por meio de material gráfico, para o livro sobre o movimento que está sendo idealizado por Moacir dos Anjos, coordenador do Museu do Homem do Nordeste (Muhne).
O livro, que será publicado pela Editora Massangana, é baseado na exposição "Mutirão", realizada pela Fundaj em 2024, que teve a curadoria de Moacir. O coordenador do Muhne destacou a importância de idealizar a publicação com a mesma concepção do MCP, sendo algo com a participação de todos.
"Essa natureza desse material instigou os designers e Cristiano Borba, coordenador da Editora Massangana, a pensarem em algo diferente para a publicação, para fazer esse livro de modo participativo também porque essa é a natureza do Movimento. Não à toa que o nome da exposição foi 'Mutirão', palavra que designa um ajuntamento de pessoas para fazer algo não somente juntos, mas para o benefício de todos”, disse o coordenador.
Pela manhã, Moacir fez uma apresentação sobre o MCP detalhando sobre o compromisso do movimento com a educação, promovendo a alfabetização de crianças e adultos no Recife. E destacou o pioneirismo do grupo na busca pelo fomento e valorização da cultura local, a partir de expressões como o maracatu e o bumba meu boi, além de aproximar o público com as artes, por meio da realização de festivais de cinema, peças de teatro e exposições.
Dimas Veras, pesquisador da Cátedra Paulo Freire e professor do IFPE, deu sequência à apresentação para falar sobre o MCP e ressaltou a relevância do patrono da educação brasileira no movimento. Os designers da Editora Massangana, Hélton Pessoa e Hiago Henrique, deram as primeiras informações sobre como será o projeto gráfico do livro.
Após a apresentação da proposta e dos materiais e máquinas a serem utilizadas, como a minerva e o prelo, os inscritos participaram da oficina prática de tipografia.
Ministrada pelo professor do IFPE Eduardo Souza, a atividade envolveu fazer a composição da impressão tipográfica e imprimir o material produzido. “Eles organizam quais são as letras e como elas vão ficar no que vai ser impresso. Depois, tem a parte de impressão mais técnica, para armar em uma moldura de metal para suspender e colocar na máquina de impressão. O processo de experimentação é na composição, com a montagem, misturando letras, substituindo por outros caracteres não ortográficos e criando uma experimentação que não aconteceria em um layout digital”, explicou o professor.
Maria Vitória, artista visual e professora, se inscreveu na oficina para conhecer a Gráfica-Escola do IFPE e aprofundar os conhecimentos no MCP. "Gostei muito de conhecer essas técnicas de produção gráfica. Eu acho que a relação entre a produção gráfica e o Movimento é o vínculo com a palavra e a oficina trouxe a palavra como motim para a organização do pensamento e de imagem e para a organização criativa. Me fez repensar a palavra e seu processo de construção", destacou.


