Atividade integra programação da Jornada da Terra 2026
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) iniciou na quinta-feira (28) as aulas da oficina gratuita "Da Afrociberdelia ao solarpunk: narrativas sônicas ficcionais para fabular outros mundos", ministrada pelo professor George Souza. A abertura da atividade refletiu sobre a dicotomia entre natureza e sociedade, tentando discutir os dois elementos como um só a partir de manifestações culturais do Recife e de Olinda.
Integrando a programação da Jornada da Terra 2026, que tem como tema nesta edição “Territórios, saberes e futuros possíveis”, a oficina tem o objetivo de produzir narrativas com caráter fabulativo afrociberdélico/solarpunk sobre experiências ecossociais na e com a cidade do Recife.
Na aula inaugural, George Souza explicou as origens do Movimento Mangue e do Solarpunk, analisando seus manifestos, e de que forma os sons produzidos dialogam com conceitos de sustentabilidade contemporânea, energia limpa e racismo ambiental.
Segundo o pesquisador, muitas vezes a natureza é “vendida” como um produto a qual se pode explorar, como se estivesse separada da sociedade. “A Jornada da Terra tem esse caráter de tentar discutir para além desse limite natureza x sociedade, superar essa dicotomia”, afirmou.
Fruto de uma pesquisa que é um processo cartográfico, a oficina reúne temáticas como música, meio ambiente, afrociberdelia, solarpunk e cidade, partindo de conceitos como o solarpunk como um movimento criado “porque o otimismo foi tirado de nós e estamos tentando recuperá-lo”- diz o manifesto lançado em 2008 - e do manguebeat como movimento e gênero musical, partindo de uma análise de “Afrociberdelia”, álbum de Chico Science & Nação Zumbi, lançado em 1996.
A artista de animação e jogos Letícia Ohanna afirmou que a oficina é uma oportunidade para desenvolver conhecimentos sobre a temática. “Sou formada em audiovisual e gosto de pesquisar sobre o assunto. Meu TCC de animação foi sobre solarpunk no mangue: eu fiz uma adaptação do Caranguejos com Cérebro e o manifesto solarpunk em um subgênero narrativo em Recife, então vim para melhorar meus conhecimentos”, destacou.
A oficina segue até o dia 18 de junho, no campus Ulysses Pernambucano da Fundaj, no Derby, com encontros presenciais. Até o mês de julho, a Jornada da Terra vai promover uma programação com atividades voltadas à discussão de questões ambientais, culturais e sociais, promovendo diálogos entre universidade, pesquisa, arte e sociedade.
