Nate atuará no planejamento, coordenação e apoio técnico das iniciativas de pesquisa, formação e extensão da instituição
O lançamento do Núcleo de Assessoramento Técnico em Saúde e Segurança no Trabalho (Nate) ocorreu no auditório da Fundacentro, juntamente com a assinatura da Portaria nº 1758, que oficializou a criação da estrutura, no dia 12 de novembro. Vinculado ao Programa de Bolsas da Fundacentro PBFunda, o Nate tem a missão de planejar, coordenar e propor ações nas áreas de pesquisa, formação e extensão voltadas para os Projetos Matrizes (PROMATs), que fazem parte do programa de bolsas da instituição, subordinado à Presidência.
Com foco em Saúde e Segurança dos Trabalhadores, o núcleo atuará tanto de forma integrada entre os programas da instituição quanto diretamente nos PROMATs. Entre suas responsabilidades estão a elaboração de planos de trabalho, a avaliação de documentos e materiais produzidos pelos projetos matrizes, e a identificação de oportunidades para o desenvolvimento de produtos científicos por bolsistas. O Nate também será responsável por apoiar a aplicação prática dos estudos e emitir pareceres técnicos sempre que necessário. Reuniões periódicas serão realizadas para acompanhar o andamento das atividades.
A composição do núcleo de assessoramento inclui coordenações dos PROMATs, servidores efetivos e comissionados da Fundacentro, além de bolsistas do PBFunda. A Presidência poderá convidar pesquisadores e especialistas externos para colaborar nas ações do núcleo. A coordenação ficará a cargo de um servidor designado especialmente para a função, e o regimento interno será elaborado por uma comissão própria.
Lançamento
O presidente da Fundacentro, Pedro Tourinho, destaca que a criação do Nate representa um esforço coletivo e estratégico para fortalecer a integração entre pesquisa, formação e difusão do conhecimento em saúde e segurança no trabalho. Ele ressalta que a iniciativa consolida a instituição como instituição essencial, alinhada a atores governamentais e sociais, contribuindo para um ambiente de trabalho mais seguro e inclusivo, especialmente na economia popular e solidária.
"Com o passar e o avançar desse processo, percebemos que essa é uma tarefa muito árdua, porque, além de envolver uma função de natureza administrativa, uma tarefa que exige o esforço de todas as áreas da Fundacentro, ela requer um olhar permanente para que possamos assegurar o cumprimento da nossa função institucional”, ressalta Tourinho.
A coordenadora do Núcleo de Assessoramento Técnico em Saúde e Segurança no Trabalho e tecnologista da Fundacentro, Solange Schaffer, informa que o núcleo surgiu da necessidade de articular ações em Saúde e Segurança do Trabalho (SST) voltadas a trabalhadores e trabalhadoras em situação de vulnerabilidade e informalidade, destacando o desafio de popularizar e capilarizar a SST em todo o país com apoio de diferentes projetos e parceiros da Fundacentro.
Solange lembra que a iniciativa surgiu a partir de um convite do ex-diretor da Diretoria de Pesquisa Aplicada (DPA), Rogério Bezerra, e contou com a participação dos tecnologistas Juliana Oliveira e Marcelo Alexandre Vasconcelos. Na ocasião, o grupo já trabalhava com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e, após Thaís Barreira, pesquisadora da instituição, ter dado o primeiro passo no desenvolvimento dos cenários da área, Schaffer foi convidada a coordenar a parte técnica do projeto, dando continuidade ao trabalho iniciado.
Segundo Schaffer, o Nate estrutura-se para atender a múltiplas demandas simultâneas de saúde e segurança no trabalho, incluindo grupos LGBTQIA+ e trabalhadores da economia popular e solidária. "Nosso desafio é como popularizar a SST, mas não a popularização básica de conceito de SST. O objetivo é levar conhecimento técnico e proteção a todos e todas, especialmente aos trabalhadores(as) informais, aqueles invisíveis na sua cidade", afirma.
O gerente de projeto da Fundacentro, Eberval Castro, explica que o Núcleo de Assessoramento surge justamente para garantir uma coordenação ampliada, permitindo maior alinhamento entre pesquisa, formação e extensão. Segundo ele, o núcleo reforça o compromisso institucional com a produção de conhecimento aplicada às realidades dos trabalhadores, especialmente aqueles mais vulneráveis. “O Nate vem para organizar o que já fazemos e ampliar nossa capacidade de responder às demandas que chegam do país inteiro, informa”.
Ele também enfatiza que a iniciativa fortalece o papel do PBFunda dentro da Fundacentro, oferecendo suporte direto às equipes dos PROMATs e criando um ambiente de cooperação entre servidores, pesquisadores e bolsistas. “O núcleo consolida um modelo mais sólido de gestão do programa e abre caminho para novos projetos e parcerias relevantes para a saúde e segurança no trabalho”, frisa Eberval.
Já o diretor de Pesquisa Aplicada da Fundacentro, José Cloves da Silva, fala que a instituição pertence “ao povo brasileiro” e deve aproximar seu conhecimento técnico das realidades diversas do país, fortalecendo o diálogo com trabalhadores, movimentos sociais e iniciativas da economia popular e solidária. Ele ressalta que essa abertura é essencial para que a instituição cumpra seu papel público e amplie o alcance de suas ações.
Cloves também destaca o impacto do PBFunda e do novo Nate, que visa integrar pesquisa, formação e atuação territorial. Ele cita, como exemplo, as ações com pescadores artesanais e o trabalho de campo voltado a apoiar o acesso ao seguro-defeso. “Durante o período do defeso, que é quando os peixes estão em fase de reprodução e a pesca precisa ser interrompida para garantir a preservação das espécies, o pescador artesanal fica impedido de exercer sua atividade. Para que ele não seja prejudicado nesse intervalo, existe o seguro-defeso, um benefício semelhante ao seguro-desemprego. Nesse período, o pescador recebe em torno de um salário mínimo, garantindo sua subsistência enquanto a natureza se regenera”. Completa que diante disso, a Fundacentro está levando saúde e segurança ao trabalhador invisível e se consolidando como referência nacional em proteção ao trabalho.
O gerente de projeto da Fundacentro, Michel Fukuda, relembra que sua trajetória na área de Saúde e Segurança do Trabalho começou ainda como bolsista. Segundo ele, foi nesse período que descobriu a SST como uma nova forma de compreender o mundo e de dialogar com a economia popular e solidária.
Fukuda destaca a importância das pessoas que contribuíram para sua formação nesse campo, especialmente a pesquisadora Thaís Helena de Carvalho Barreira e o bibliotecário Sérgio Cosmano. Ele ressalta que ambos, junto com muitos outros colegas da instituição, o acompanharam com paciência e cuidado ao longo dos anos, ajudando-o a construir sua trajetória dentro da instituição.
Michel ressalta também a relevância do Programa de Bolsas da Fundacentro (PBFunda) e o papel de diferentes gestores e pesquisadores na consolidação do modelo atual, agradecendo as equipes que contribuíram para tornar o programa inovador, colaborativo e articulado com pautas sociais, como os projetos voltados a populações LGBTQIA+ e às mulheres trabalhadoras.
“O programa se fortalece justamente porque é fruto de muitas mãos dedicadas à proteção e à dignidade no trabalho. Agora nós temos o Nate, um núcleo técnico que nasce para apoiar o PBFunda e ampliar o alcance das ações de SST, para que muitas outras mãos não precisem mais sofrer para trabalhar”, salienta.
Durante o evento, Luciana Morgado, agente do Programa Paul Singer, ressalta a importância da iniciativa, destacando seu papel em ampliar oportunidades e oferecer suporte técnico a pessoas em situação de vulnerabilidade no Brasil. “Ações como essa são fundamentais para fortalecer políticas de inclusão e promover maior equidade social no país”.


