Reconhecimento destaca atuação da instituição na Jornada, que promove debates sobre crise climática e justiça ambiental
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) foi homenageada, na quarta-feira (22), durante sessão solene realizada na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), em reconhecimento ao trabalho desenvolvido na coordenação da Jornada da Terra 2026. A iniciativa integra a programação de abertura do evento, que mobiliza instituições e movimentos em torno do debate sobre urgência climática e justiça ambiental.
A cerimônia foi conduzida pela deputada Rosa Amorim (PT), presidenta da Comissão de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal da Alepe e autora do requerimento que originou a homenagem. Na ocasião, a parlamentar destacou o significado da data e da articulação coletiva envolvida na Jornada da Terra. “Para nós é uma alegria homenagear o Dia Mundial da Terra e a Jornada da Terra 2026, que é organizada por universidades públicas, além do Centro Sabiá, da Comissão Pastoral da Terra, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Fundação Joaquim Nabuco”, afirmou.
Rosa Amorim também relacionou a iniciativa às lutas históricas no campo e ao contexto ambiental atual. “Comemoramos esse dia no meio da jornada de luta da reforma agrária que celebramos desde 1996. Enquanto houver uma terra improdutiva, um latifúndio improdutivo e um trabalhador sem terra, haverá luta neste país. Defender a terra é defender quem nela vive, é a luta por comida de qualidade, por água, por vida digna e justiça socioambiental”, declarou. A deputada ainda ressaltou que o debate sobre crise climática se insere em um cenário global crítico, apontando a necessidade de responsabilização de agentes econômicos que atuam de forma predatória sobre a natureza.
A placa de honraria foi recebida pela diretora de Pesquisas Sociais da Fundaj, Luciana Marques, representando a presidenta da Instituição, Márcia Angela Aguiar, e pelo professor e pesquisador Maurício Antunes, coordenador da Jornada da Terra. Em sua fala, Luciana Marques destacou o caráter coletivo e urgente da mobilização. “Mais do que uma data simbólica, este é um momento de afirmação coletiva. Um momento que nos convoca a reconhecer que vivemos uma crise que já não pode ser tratada como um problema do futuro. A urgência climática é uma realidade do presente, concreta, desigual e profundamente marcada pelas formas como organizamos nossa sociedade”, afirmou.
A diretora também ressaltou o papel institucional da Fundaj na articulação de respostas à crise. “A Fundação Joaquim Nabuco, como instituição pública de pesquisa, formação e cultura, tem buscado reafirmar, ao longo de sua trajetória, um compromisso fundamental: o de produzir conhecimento crítico, fortalecer a democracia e contribuir para a redução das desigualdades”, disse.
Por sua vez, Maurício Antunes abordou o caráter histórico e político da Jornada da Terra, relacionando suas origens às mobilizações internacionais em torno das questões ambientais. O pesquisador destacou a construção de alternativas a partir da articulação entre diferentes formas de conhecimento. “Queremos afirmar o contrário: a terra não é recurso, é mãe, é nossa casa comum. Nós, trabalhadores, não somos recurso, somos gente. Estamos unidos construindo caminhos possíveis para a superação desses problemas, aliando conhecimento científico, vontade política e os saberes dos povos tradicionais, das águas, das florestas e da terra”, disse.
A sessão foi aberta com um ato da Brigada Dom Hélder Câmara, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que apresentou dados sobre o número de mortos e feridos em tragédias ambientais no país. O público também acompanhou a apresentação do Coral Vozes de Pernambuco, da Alepe, que interpretou canções como “Cio da Terra” e “Xote Ecológico”.
Também compuseram a mesa da solenidade a professora doutora Maria da Conceição dos Reis, pró-reitora de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); a professora doutora Renata Valéria, pró-reitora de Extensão da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); a professora doutora Mariana Valença, pró-reitora de Extensão da Universidade de Pernambuco (UPE); o professor Marcos Figueiredo, pesquisador do Núcleo de Agroecologia e Campesinato da UFRPE; Angelo Zanré, da Comissão Pastoral da Terra (CPT); e Paulo Mansan, coordenador do coletivo Mãos Solidárias.
