Programação inclui apresentações culturais, mesas de debate e diálogos com pesquisadores, gestores públicos, movimentos sociais e representantes de comunidades tradicionais
Para reafirmar um compromisso global de enfrentamento à degradação das terras e em defesa da diversidade ecológica e cultural da Caatinga, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) vão promover, nos dias 17 e 18 de junho, o seminário “Caatinga em Disputa: Ciência, Território e Justiça Ambiental Diante da Desertificação”.
A atividade integra programação da Jornada da Terra 2026 e parte da articulação com diversas instituições governamentais e da sociedade civil que atuam na região, como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Superintendência de Desenvolvimento Regional (Sudene), Universidade Federal da Paraíba (UFPB, Campus Areia), Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Observatório da Caatinga e da Desertificação (OCA), Centro de Ação Cultural (Centrac), Centro Sabiá, Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil).
O seminário parte da avaliação que a desertificação não é apenas um fenômeno físico e climático, mas um processo histórico, social e político, que passa por questões como concentração fundiárias, políticas públicas em modelos tradicionais, que acabam resultando em problemáticas como deslocamentos forçados, degradação dos sistemas socioecológicos e destruição de modos de vida que sustentam a biodiversidade.
De acordo com Edneida Cavalcanti, coordenadora do Centro de Estudos Sociais e Territoriais (Cedist), da Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes) da Fundaj, “o evento ‘Caatinga em Disputa: Ciência, Território e Justiça diante da Desertificação’ nasce da compreensão de que enfrentar esse processo exige mais do que diagnósticos técnicos. É necessário produzir conhecimento comprometido com os territórios, fortalecer a participação social, disputar narrativas sobre o semiárido e a Caatinga e construir recomendações capazes de dialogar com as políticas públicas nacionais e com os debates internacionais sobre clima e degradação das terras”.
“A desertificação não é apenas a terra secando. É também o enfraquecimento dos territórios, dos modos de vida e das possibilidades de futuro no Semiárido. O evento ‘Caatinga em Disputa’ nasce justamente para provocar um debate público mais honesto, crítico e qualificado sobre o que está em jogo hoje na Caatinga: clima, território, energia, carbono, mineração, justiça ambiental e o direito das populações de decidirem sobre seus próprios futuros”, destaca o pesquisador do INSA e corresponsal científico do Brasil na UNCCD, Aldrin Marin, que participou da organização do seminário.
Na programação, apresentações culturais, mesas de debate e diálogos com pesquisadores, gestores públicos, movimentos sociais e representantes de comunidades tradicionais vão discutir os múltiplos vetores que hoje colocam a Caatinga em disputa. Entre os temas abordados estão os impactos da desertificação e dos eventos climáticos extremos no Semiárido e em especial na Caatinga, os desafios da reversão da degradação ambiental, os mercados de carbono, a mineração de minerais críticos e seus impactos, a expansão das energias renováveis nos territórios e os conflitos decorrentes.
O evento também propõe reflexões sobre justiça climática e energética, fragilidade institucional, governança ambiental, produção de dados para políticas públicas e a disputa de narrativas sobre o Semiárido, destacando o papel dos saberes territoriais, da comunicação pública e da participação social na construção de futuros possíveis para a Caatinga.
O seminário é voltado a pesquisadores, professores, estudantes, gestores públicos, comunicadores, educadores, representantes de movimentos sociais, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil, em busca de promover um espaço de reflexão, troca de conhecimentos e de articulação política sobre as temáticas abordadas.
A temática da desertificação faz parte da trajetória da Fundaj, que desde o final da década de 1990 amplia sua atuação nesse campo através de pesquisas, iniciativas de formação, comunicação pública e ações de incidência em políticas públicas relacionadas às transformações socioambientais do Semiárido, às mudanças climáticas, às desigualdades territoriais e à sustentabilidade.
Programação completa
Dia 1 — Quarta-feira, 17 de junho
8h – 8h45 Credenciamento e entrega de material
8h45 – 9h45 Cerimônia de Abertura — FUNDAJ, INSA, MMA, instituições parceiras.
Apresentação cultural
9h45 – 10h15 Lanche e bate-papo
10h15 – 12h30 PAINEL I — Desertificação no Semiárido: quando a terra morre, os direitos também secam — Moderador: Edneida Cavalcanti (Fundaj)
10h15 – 10h25 Abertura e contextualização pela moderação
10h25 – 10h50 Eventos extremos e vulnerabilidade territorial na Caatinga: o anúncio do Super “El Niño” — Josefa Morgana Vitorino Almeida (INSA)
10h50 – 11h15 Ciência, monitoramento e limites técnicos da reversão da Desertificação — Helder Freitas Pereira de Araújo (UFPB Campus Areia)
11h15 – 11h40 Desertificação: um ciclo onde poucos ganham e muitos perdem — Aldrin M. Perez Marin (INSA/UFCG/OCA)
11h40 – 12h30 Debate aberto com o público e síntese final pela moderação
12h30 – 13h30 Almoço
13h30 – 17h PAINEL II — Mercados ambientais em disputa: créditos de carbono e minerais críticos no Semiárido — Moderador: John Cunha (UFCG/OCA)
13h30 – 13h40 Abertura e contextualização pela moderação
13h40 – 14h05 Carbono no Semiárido: entre a Lei e o Território — Claudionor Vital Pereira (CENTRAC)
14h05 – 14h30 O Gigante Invisível: a Caatinga, o Carbono e a Moeda do Bem Viver — Artur Moisés Gonçalves (IFPB/UFCG/OCA)
14h30 – 14h55 Territórios, comunidades e consentimento livre, prévio e informado
14h55 – 15h15 Lanche
15h15 – 15h40 Minerais críticos no contexto do Semiárido: potencialidades, oportunidades e desafios — Ygor Jaques (UFRPE)
15h40 – 17h Debate aberto com o público e síntese final pela moderação
17h – 17h15 Encerramento do primeiro dia
Dia 2 — Quinta-feira, 18 de junho — Dia Mundial de Combate à Desertificação
8h30 – 9h Lanche de boas-vindas e organização para o segundo dia
9h – 12h PAINEL III — Territórios, saberes e disputa de narrativa: quem fala, por quem e a partir de onde sobre a Caatinga — Moderadora: Paula Reis (UFPE, Rádio Paulo Freire)
9h – 9h10 Abertura e contextualização pela moderação
9h10 – 9h35 Saberes locais e detecção territorial da desertificação — Carlos Magno (Centro Sabiá)
9h35 – 10h Mídia, linguagem pública e a captura narrativa do Semiárido — Verônica Pragano
10h – 10h25 Informação para decisão pública: dados, gestores e o vão entre os dois — Ludmilla Calado (SUDENE)
10h25 – 10h50 Quem conta a Caatinga? Estatísticas públicas, invisibilidades territoriais e disputa por reconhecimento
10h25 – 12h Debate aberto com o público e síntese final pela moderação
12h – 13h30 Almoço
**13h30 – 16h PAINEL IV — Energias Renováveis no Semiárido: para quem e a que preço? — Moderador: Pedro Silveira (Fundaj)**13h30 – 13h40 Abertura e contextualização pela moderação
13h40 – 14h05 Marco jurídico, licenciamento e governança — José Godoy (MPF)
14h15 – 14h30 Comunicação pública, visibilidade e disputas sobre a transição energética — Valecia Costa de Medeiro (INSA)
14h30 – 15h Territórios, direitos e justiça energética — Roselita Vitor (Polo da Borborema)
15h – 15h30 Debate aberto com o público e síntese final pela moderação
15h30 – 16h20 Lanche e bate-papo
16h20 – 17h30 Painel de Síntese e Mesa de Encerramento — Sistematização das discussões dos quatro painéis; propostas e recomendações; construção de agenda futura (rede, publicações, cooperação); mensagem alusiva ao Dia Mundial de Combate à Desertificação.


