O evento é realizado em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e continua nesta quinta-feira (18)
Caracterizada pela vegetação adaptada ao clima semiárido, a Caatinga abriga uma rica biodiversidade, com centenas de espécies de plantas e animais, muitas delas encontradas apenas nesta região. Apesar de sua relevância ambiental, o bioma sofre com a desertificação e enfrenta disputas sobre a utilização do seu solo. Apresentando este tema para debate, A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) promovem, nos dias 17 e 18 de junho, o seminário “Caatinga em Disputa: Ciência, Território e Justiça Ambiental Diante da Desertificação”. O evento inicia no Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, comemorado nesta quarta-feira (17). Neste primeiro dia, o colóquio contou com palestras sobre desertificação no semiárido e mercados ambientais.
O Seminário faz parte da programação da Jornada da Terra 2026, e surge da articulação com diversas instituições governamentais e da sociedade civil que atuam na Caatinga, como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Superintendência de Desenvolvimento Regional (Sudene), Universidade Federal da Paraíba (UFPB, Campus Areia), Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Observatório da Caatinga e da Desertificação (OCA), Centro de Ação Cultural (Centrac), Centro Sabiá, Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil).
A mesa de abertura do evento contou com a participação de Edneida Cavalcanti, pesquisadora e coordenadora do Centro de Estudos Sociais e Territoriais (Cedist) da Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes) da Fundaj, representando a presidenta da instituição, Márcia Angela Aguiar; Ludmila Calado, representando a SUDENE; Aldrin Peres, pesquisador do INSA e do OCA; Carlos Casteletti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do IPA; Paulo Pedro Carvalho, da ASA; e John Cunha, da UFCG.
Edneida Cavalcanti celebrou o evento e comentou sobre a importância de pesquisas como as que estão sendo compartilhadas no seminário, sobre o território em questão. "O aprofundamento das pesquisas e do conhecimento sobre esse espaço trazem mudanças positivas para o semiárido e para a região nordeste, por consequência", relatou.
Pela manhã, o primeiro painel de debate,"Desertificação no Semiárido: quando a terra morre, os direitos também secam", contou com a mediação de Edneida Cavalcanti e participação de Josefa Morgana Vitorino Almeida (INSA), Helder Freitas Pereira de Araújo (UFPB) e Aldrin M. Perez Marin (INSA). Foram expostas análises e reflexões sobre eventos extremos, como o Super El Niño, e seu impacto na vulnerabilidade territorial da Caatinga e o monitoramento e limites da reversão da desertificação.
À tarde, o evento recebeu uma palestra de Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (DCDE) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Na ocasião, Alexandre comentou sobre a necessidade de ações em conjunto com os estados para a implementação das ações e enfrentamento da desertificação no Brasil. "A retomada do diálogo com os governos estaduais é chave para que consigamos avançar efetivamente", confessou.
Segundo painel do seminário "Mercados ambientais em disputa: créditos de carbono e minerais críticos no Semiárido", mediado por John Cunha, contou com a participação de Claudionor Vital Pereira (CENTRAC), Artur Moisés Gonçalves (IFPB), Paulo Pedro Carvalho (GT Combate à Desertificação e Justiça Climática) e Ygor Jacques Agra B. da Silva (UFRPE). O grupo expôs ao debate questões sobre carbono, minerais críticos no contexto do Semiárido e legislação sobre uso do território. O evento continua na quinta-feira (18) com debates sobre os desafios e as perspectivas para o Semiárido brasileiro.


