Atividade será composta por um cine-debate, lançamento de livro e inauguração de exposição, em Casa Forte
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), por meio da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), realiza no próximo dia 30 de junho uma programação especial em homenagem ao centenário de nascimento de Alexina Lins Crêspo de Paula (1926-2013). As atividades acontecerão no Campus Gilberto Freyre, em Casa Forte, reunindo cine-debate, lançamento de livro e abertura de exposição dedicados à trajetória da militante, escritora e ativista pernambucana.
Nascida no Recife, no bairro de Afogados, em 30 de junho de 1926, Alexina Crêspo teve atuação destacada em movimentos sociais, políticos e femininos ao longo do século XX. Participou ativamente das articulações e mobilizações em defesa dos trabalhadores rurais e das pautas femininas. Também atuou em organizações como a União Feminina de Pernambuco e do Brasil e integrou diferentes organizações políticas. Após o golpe militar de 1964, viveu 18 anos de exílio em Cuba, no Chile e na Suécia, retornando ao Brasil em 1980, após a Lei da Anistia. Faleceu no Recife em 2013.
“Considerando o tumultuado momento político que o país tem atravessado nos últimos anos, rememorar uma militante da dimensão da Alexina Crespo é muito importante, em especial no seu centenário. Alexina Crespo foi uma mulher que lutou de forma incansável contra o autoritarismo, sendo reconhecida e respeitada por líderes políticos mundiais. Portanto, a Fundação não podia deixar de se associar à família da Alexina Crespo nessa homenagem, sobretudo quando tantos procuram desprezar a história e memória do país. E daqueles que lutaram para que alcançássemos a democracia”, destacou Túlio Velho Barreto, diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), da Fundaj.
Atividades
A programação terá início às 18h30, na Sala Museu do Cinema da Fundação, com a realização de um cine-debate. Serão exibidos os filmes Brazil – The Troubled Land (1964), dirigido por Helen Jean Rogers, e Alexina – Memórias de um Exílio (2012), de Stella Maris Saldanha e Cláudio Bezerra. As obras abordam aspectos da realidade política brasileira e da trajetória de Alexina, contribuindo para a reflexão sobre sua atuação e seu tempo. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente. A bilheteria estará aberta ao público uma hora antes da sessão.
Às 19h30, no Hall do Cinema, ocorrerá o lançamento do livro Os Poemas de Apolo e outros escritos, publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Organizada por Raul Calle de Paula, a obra reúne textos em poesia e prosa produzidos por Alexina entre 1980 e 2010, período compreendido entre seu retorno do exílio e os anos finais de sua vida no Recife.
O lançamento contará com apresentação do Coral Voz Ativa, de João Pessoa (PB), que vai interpretar o Hino do Camponês, de Francisco Julião e Geraldo Menucci. O original do hino, escrito à não por Julião, será exposto no espaço.
Encerrando a programação, às 20h, será inaugurada, na Galeria Massangana, a exposição Vermelho-Brasil: 100 anos de Alexina Crêspo. A mostra apresenta fotografias, documentos, cartas, jornais e objetos reunidos a partir de acervos pessoais, familiares, públicos e históricos. O percurso expositivo aborda diferentes momentos da vida de Alexina, desde a infância no Recife, passando por sua atuação política e social, pelo período de exílio e pelo retorno ao Brasil após a anistia. A curadoria é assinada por Camila Maria Santos, Elaine Santana do Ó e Raul Calle de Paula.
“A exposição que inauguramos entre 30 de junho e 29 de julho de 2026, na Galeria Massangana da Fundaj, dá a quem a visitar um panorama completo de toda sua história por meio dos documentos originais de seu espólio pessoal. Fotografias, documentos, publicações e itens pessoais contam a história do nosso tempo através dos olhos de alguém daqui, de Pernambuco, do Brasil, e que a viveu em primeiríssima pessoa”, comentou Raul Calle de Paula, bisneto de Alexina Crêspo.
Além de sua atuação política, Alexina Crêspo desenvolveu intensa atividade intelectual e cultural. Desde a juventude, publicou poemas e textos em jornais e revistas do Recife, mantendo a escrita como uma de suas formas de expressão ao longo da vida. Durante o período de exílio, acompanhou importantes processos políticos internacionais e, após retornar ao Brasil, dedicou-se também ao teatro e à formação cultural de jovens e comunidades populares, contribuindo para iniciativas de educação e arte no Recife.
“Uma das coisas mais incríveis sobre a vida de Alexina Crêspo é que, até hoje, ela é pouco lembrada. Neste sentido, sua história é igual a muitas. Ela mesma dizia: ‘não sou heroína, apenas vivi coerentemente com o que pensava, queria e imaginava’. Conhecer a vida de Alexina — sua trajetória pessoal e política — é ver o século XX através dos olhos de uma recifense, pernambucana, brasileira, mas, ao mesmo tempo, de uma pessoa a quem todo o mundo pertenceu”, concluiu Raul.
Para Sylvia Couceiro, coordenadora do Centro de Documentação e Pesquisa (Cdoc) da Fundaj, a escolha dos documentos textuais e das fotografias de Alexina tem como objetivo reconhecer o papel de uma mulher "batalhadora e engajada, com uma luta enorme pela democracia e teve seu nome apagado em função de ser esposa de Francisco Julião". A mostra da Galeria Massangana vai percorrer a biografia da militante a partir de documentos originais que apresentam o contexto de sua formação política desde o final dos anos 1950. "A gente quer mostrar o papel importantíssimo que ela desempenhou", destacou Couceiro.
Confira a programação:
18h30 | Cine-debate – Cinema da Fundação
Exibição dos filmes Brazil – The Troubled Land (1964), de Helen Jean Rogers, e Alexina – Memórias de um Exílio (2012), de Stella Maris Saldanha e Cláudio Bezerra.
19h30 | Lançamento do livro Os Poemas de Apolo e outros escritos – Hall do Cinema
Publicada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), a obra reúne poesias e textos em prosa escritos por Alexina Crêspo entre 1980 e 2010. O livro tem organização de Raul Calle de Paula, apresentação de Cida Pedrosa, orelha assinada por Marcelo Mário de Melo e ilustrações de Sarah Bernardes da Silva.
20h | Abertura da exposição Vermelho-Brasil: 100 anos de Alexina Crêspo – Galeria Massangana
A mostra reúne fotografias, documentos, cartas, jornais e objetos que retratam a trajetória de Alexina Crêspo, desde a infância no Recife, passando por sua atuação política, o período de exílio e o retorno ao Brasil após a anistia. A curadoria é de Camila Maria Santos, Elaine Santana do Ó e Raul Calle de Paula.
Serviço
Centenário de Alexina Crêspo
Data: 30 de junho de 2026
Horário: A partir das 18h30
Local: Campus Gilberto Freyre, Av. Dezessete de Agosto, 2187, Casa Forte, Recife
Entrada: Gratuita
