Fundaj recebeu oficina sobre música brasileira na 19ª Primavera dos Museus
Ao longo de três dias, Patrícia Palumbo ministrou oficina abordando nossa história através da música Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
02/10/2025 17h56
O Museu do Homem do Nordeste (Muhne), por meio da Coordenação de Ações Educayivas e Comunitárias, sediou, entre os dias 24 e 26 de setembro, a oficina ‘Um breve panorama da música brasileira em 3 tempos’, ministrada pela jornalista e pesquisadora Patrícia Palumbo. A atividade integrou a programação da 19ª Primavera dos Museus, e reuniu o público na Sala Calouste Gulbenkian, no Campus Gilberto Freyre, em Casa Forte. O Muhne é vinculado à Diretoria de Memória, Educação Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
Foram três dias de encontros que percorreram diferentes momentos da música brasileira abordando modernismo, Tropicália, a obra de Luiz Melodia e a música preta instrumental. Para Patrícia Palumbo, a oficina foi uma oportunidade de refletir sobre a função social da música e seu papel na história do país. “A música engloba uma narrativa histórica que também escuta as questões sociais e políticas do Brasil. Ela não é pano de fundo, não dá para reduzir a um ‘melhores momentos da MPB’ tocando qualquer bobagem. É preciso pensar a música como uma ferramenta social”, destacou.
No último encontro, dedicado à música instrumental, a atividade contou com a presença de Patrícia Vasconcelos, viúva de Naná Vasconcelos. Ela ressaltou a importância de manter viva a obra do percussionista pernambucano. “Como Naná dizia: a música vai do silêncio ao grito. Se a gente não souber escutar o silêncio, não entrou na música. Naná foi passado, presente e futuro. Muito do que hoje é feito com tecnologia, ele já fazia organicamente. Foi visionário e deixou um recado importante para o mundo”, afirmou.
Nesse período, Patrícia Palumbo e Patrícia realizaram uma visita à presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar, que destacou a relevância das atividades desenvolvidas por ambas na Fundação.
Para Moacir dos Anjos, coordenador-geral do Museu do Homem do Nordeste, a presença de Patrícia Palumbo na Fundaj representou um momento de partilha e de quebra de fronteiras conceituais. “Ela trouxe uma crítica às divisões, muitas vezes arbitrárias, entre música popular, música erudita, música de sucesso ou sem sucesso. Mostrou como tudo isso está dentro de um mesmo caldeirão e como, para compreender a música brasileira, é preciso quebrar fronteiras construídas artificialmente”, avaliou.
O educador Alisson Henrique, do Museu do Homem do Nordeste, acompanhou a oficina como espectador e reforçou a relação entre música, memória e identidade cultural. “Do ponto de vista cultural, a nossa música reflete nossas práticas sociais. Do ponto de vista biológico, ela é também a última memória que guardamos enquanto pessoas”, observou.
A oficina foi realizada em parceria com a Cátedra Naná Vasconcelos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e contou com ampla participação do público. Ao final, Patrícia Palumbo fez um balanço da experiência: “Foram três dias nesse espaço lindo e histórico, com uma turma muito interessada. Espero voltar muitas vezes e seguir trazendo reflexões sobre a música brasileira, essa arte que é história, registro e provocação”
Categoria Artes
Tags: Pernambuco




