O governo brasileiro acompanha, com preocupação, os possíveis impactos em instituições financeiras da decisão do governo dos Estados Unidos de sancionar dois brasileiros e quatro empresas por suposto vínculo com a facção PCC. Embora as sanções não possam ultrapassar a soberania brasileira, há o risco de que ocorra um efeito secundário de bloqueio aos bens de alguns bancos. A sanção dos Estados Unidos, anunciada na quinta-feira (1º), foi a primeira medida nesse sentido após Washington classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas.
O Ministério da Justiça explicou que essa e outras medidas adotadas sob a tese de que facções brasileiras são terroristas não devem produzir efeitos fora do território dos Estados Unidos. O entendimento é que as determinações norte-americanas não podem ultrapassar o limite da soberania do Brasil. Mas a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, alertou quanto a possíveis efeitos secundários, especialmente sobre a nossa economia. O motivo é que sanções como essa também atingem pessoas físicas ou jurídicas que mantenham vínculos com o sancionado, até o quarto grau de relacionamento, o que pode afetar quem não tem ligação com o crime.
Ontem, o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos sancionou os brasileiros Victor Shimada e Stella de Oliveira e mais quatro empresas por suposta ligação com membros do PCC radicados na Flórida. Os envolvidos tiveram os bens bloqueados. Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões para a facção.
Autoridades brasileiras, no entanto, não confirmam as informações. Shimada é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por lavagem de dinheiro.
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