Na terceira reportagem da série sobre o "Super El Niño" esperado para este ano, vamos falar sobre as possíveis consequências para a produção agropecuária brasileira. O Brasil tem 5 milhões de propriedades rurais que ocupam 41% do território nacional. São terras que produzem soja, café, milho, trigo, entre muitos outros itens, e põem o país na posição de quarto maior produtor de grãos do mundo, atrás de China, Estados Unidos e Índia.
A agricultura é uma atividade que pode até contar com recursos tecnológicos, mas, mesmo assim, ainda depende, e muito, do clima. O Super El Niño deve ter um impacto direto sobre o cultivo e a pecuária do país. O fenômeno provoca o aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico na região da Linha do Equador, o que causa alterações climáticas no mundo todo. E em um país continental como o Brasil, que tem diferentes biomas e tipos de clima, cada região acaba sendo atingida de forma distinta.
No Centro-Oeste, que concentra a maior produção agrícola do Brasil, o Super El Niño deve provocar um prolongamento do período de secas, que normalmente é de maio a setembro, e consequente atraso no início da temporada de chuvas. Tudo isso pode afetar o rendimento das lavouras, especialmente a soja, principal produto do agronegócio. Além disso, a combinação de mais seca e menos chuva favorece as queimadas.
Na Região Sul, são esperadas chuvas intensas, como as que ocorreram em 2024.
Na Região Sudeste, o fenômeno eleva as temperaturas e torna as ondas de calor mais frequentes e duradouras. Esta pequena propriedade rural em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, cultiva banana, aipim, quiabo, abóbora, milho e feijão. Aqui, quando ocorreu o último El Niño em 2023, houve impacto na produção. Foram nove meses de seca.
Da última vez que o Brasil sofreu com os efeitos do El Niño entre os anos de 2023 e 2024, o levantamento da safra brasileira, produzido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), avaliou que o fenômeno foi um fator relevante para a redução de 8%, o correspondente a 25,7 milhões de toneladas (-8%), em relação ao ciclo anterior.
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