O Super El Niño ganha força e mexe com os padrões do clima em diferentes partes do planeta. No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões. No Centro-Oeste, a preocupação é com a combinação de temperaturas acima da média, chuvas irregulares e maior risco de queimadas. Hoje, na série de reportagens sobre o Super El Niño, o Repórter Brasil Tarde mostra como essas mudanças podem afetar o dia a dia e também a saúde da população.
O calor no centro do Brasil pode ter relação com uma mudança que acontece a milhares de quilômetros de distância. No Oceano Pacífico Equatorial é medido o índice que indica se o El Niño é fraco, moderado ou muito forte, como é o caso agora. O aquecimento das águas, agora, está em 1,8 grau. Atualmente, o El Niño é forte e tende a se tornar muito forte a partir de outubro.
Essa alteração parece distante, mas pode influenciar o comportamento do tempo em diferentes partes do mundo. Nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, a expectativa é de temperaturas acima da média e mudanças na distribuição das chuvas.
Na prática, temperaturas acima da média significam mais dias de calor intenso e maior pressão sobre a umidade do ar. Quando o calor se junta à falta de chuva, a vegetação perde umidade. É um cenário que aumenta a preocupação com as queimadas.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta para a possibilidade de aumento do risco de incêndios florestais diante da combinação de temperaturas elevadas e condições mais secas. A fumaça e o calor também podem afetar a saúde.
A Secretaria de Estado de Saúde de Goiás elaborou um plano de emergência, no qual todos esses riscos à saúde estão contemplados, com ações já previstas para serem executadas não só pelo estado, mas também pelos municípios e pela população.
A preocupação também passa pelas arboviroses. As condições climáticas podem contribuir para mudanças no cenário de doenças como dengue, zika e chikungunya. Por isso, o monitoramento e as ações de prevenção precisam continuar.
A expectativa é que o fenômeno continue durante o segundo semestre. O painel brasileiro do Super El Niño aponta alta probabilidade de que o evento atinja intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão. Acompanhar os boletins meteorológicos, evitar queimadas e ficar atento aos alertas de baixa umidade do ar e de calor são medidas importantes. Para a população, os cuidados com a hidratação e a exposição ao calor e à fumaça também merecem atenção. O Super El Niño não é um evento estático: ele muda de intensidade e os efeitos sobre o clima também podem mudar.
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