A cooperação permitirá que estudantes chineses venham ao Brasil e que estudantes brasileiros realizem períodos de estudos na China, promovendo a troca de conhecimentos sobre sistemas produtivos, gestão territorial, tecnologias sociais e sustentabilidade.
Assessoria de Comunicação Social do Incra imprensa@incra.gov.br
Durante a cerimônia, representantes das duas instituições destacaram a importância da educação como instrumento de transformação social e desenvolvimento territorial. Para a coordenadora-geral de Educação, Arte e Cultura do Campo do Incra, Clarice Aparecida dos Santos, a ação inicia uma nova etapa de cooperação entre universidade, movimentos sociais e poder público. “Estamos inaugurando uma residência agrária sobre mecanização e técnicas no âmbito do projeto Brasil-China. É um dia muito importante para nós, em que celebramos uma parceria que seja muito profícua para o Pronera, para o Incra e para a UnB”, pontuou.
O Incra e a Universidade de Brasília (UnB) firmaram, nesta terça-feira (24), um acordo de R$ 2 milhões para a realização da especialização em Tecnificação da Agricultura Familiar Camponesa e Desenvolvimento Territorial Sustentável, por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).
Outras ações Além da especialização, a agenda firmada entre Incra e UnB prevê novas ações ao longo do ano. Entre elas está a realização de uma feira e de um seminário da reforma agrária no campus da universidade.
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A reitora da UnB, professora Rozana Reigota Naves, ressaltou que a cooperação dá continuidade a uma relação histórica entre a universidade e o instituto. “Nossa cooperação com o Incra é muito longeva. Isso demonstra a relevância do tema da reforma agrária, da agricultura familiar e dos pequenos agricultores para o desenvolvimento científico e tecnológico do nosso país, numa parceria que alia os conhecimentos tradicionais aos conhecimentos científicos”, disse.
Educação do campo A iniciativa dialoga com os princípios da educação do campo, concebida historicamente pelos movimentos sociais, povos e comunidades rurais como um projeto educacional comprometido com a realidade, a cultura e os modos de vida dos territórios campesinos. Nesse contexto, o Pronera, instituído em 1998, tornou-se uma das principais políticas públicas voltadas à democratização do acesso à educação para beneficiários da reforma agrária.
Segundo a coordenadora da especialização e do Programa de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural da Faculdade UnB Planaltina (FUP), professora Eliane Novaes, a proposta nasce de um amplo diálogo articulado pelo Centro Brasil-China da universidade. “Essa especialização pelo Pronera é uma construção coletiva para aprofundar os temas da agricultura familiar, da mecanização e dos bioinsumos. Estamos construindo uma especialização em rede, junto com outras universidades do país, para formar uma articulação nacional. Uma das questões propostas nessa formação é justamente a interlocução com a Universidade Agrícola da China, com intercâmbio de estudantes brasileiros para a China e estudantes chineses para o Brasil”, considerou.
Conforme o diretor de Desenvolvimento Sustentável do Incra, José Ubiratan Santana, a especialização representa uma oportunidade de aproximar inovação tecnológica e desenvolvimento territorial. “Bioinsumos, mecanização na reforma agrária, agroecologia, inteligência artificial e um conjunto de experiências estão sendo assegurados nessa parceria. Nós iremos compartilhar as experiências dos chineses e também vamos trazê-los para o Brasil, junto com o nosso público da reforma agrária, para formular novas estratégias de desenvolvimento dos nossos assentamentos e territórios quilombolas”, explicou.
O acordo foi celebrado no Restaurante Universitário, que serviu um cardápio especial preparado com alimentos produzidos por famílias assentadas no Distrito Federal. O ambiente simbolizou o encontro entre a produção do campo e a construção do conhecimento, princípio que orienta o acordo entre Incra e UnB, e que une a capacidade institucional da autarquia à excelência acadêmica da universidade para fortalecer a formação técnica, científica e territorial de profissionais comprometidos com o desenvolvimento sustentável no campo.
Parceria Brasil-China Um dos diferenciais da especialização é sua dimensão internacional. A proposta estabelece um espaço de intercâmbio acadêmico e técnico entre Brasil e China, países que desempenham papel estratégico na produção global de alimentos e acumulam vastas experiências em políticas de desenvolvimento no campo, inovação tecnológica e combate à pobreza.
Para o chefe da Divisão de Arte e Cultura do Campo do Incra, Luiz Henrique da Silva Portela, a programação reforça o papel da agricultura familiar na produção de alimentos e na valorização dos territórios da reforma agrária. “Estamos fazendo uma atividade que será a etapa inicial de várias ações que vão ocorrer até o final do ano, dentro do acordo de cooperação técnica entre a UnB e o Incra para promover os povos assentados da reforma agrária”, ressaltou.
Ao aproximar universidade, Estado, movimentos sociais e cooperação internacional, a especialização reforça a missão histórica do programa de transformar o acesso à educação em instrumento de desenvolvimento territorial no campo. Para isso, a ação busca fortalecer a agricultura familiar, ampliar a produção sustentável de alimentos e construir soluções inovadoras para os desafios enfrentados pelos assentamentos da reforma agrária e demais populações do campo, dando início a uma nova etapa internacional do programa.
Com duração de 30 meses, a iniciativa articula formação acadêmica, assistência técnica e cooperação internacional entre o Brasil e a China para qualificar profissionais comprometidos com os desafios do campo brasileiro.
Para Rozana, a contribuição da especialização está diretamente relacionada à permanência e ao fortalecimento dos sujeitos do campo em seus territórios. “O legado desse curso diz respeito à formação e à capacitação de estudantes que também são oriundos do campo e que vão poder qualificar cada vez mais a sua produção com base nos conhecimentos adquiridos”, afirmou a reitora.



