Mais informações Assessoria de Comunicação Iphan - comunicacao@iphan.gov.br Ana Carla Pereira - carla.pereira@iphan.gov.br
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da dispersão das comunidades que viviam nesses bairros. Durante a pesquisa, os fazedores de cultura identificados foram localizados em 61 destinos, dentro e fora de Maceió, revelando como o processo de desocupação afetou vínculos comunitários, práticas culturais e formas de transmissão da memória. Nesse contexto, o inventário busca preservar não apenas as manifestações culturais, mas também sua relação com os territórios onde foram construídas e vivenciadas.
Ao tornar públicos os registros produzidos pela pesquisa, o inventário amplia também o alcance das ações de reparação. Os dados reunidos poderão continuar sendo utilizados mesmo após a conclusão do projeto e já vêm subsidiando iniciativas culturais não só em Maceió, mas em outros locais do estado.
O trabalho marca uma nova etapa para o próprio INRC, que passa a disponibilizar seus inventários em uma plataforma digital. Para o coordenador da Coordenação de Identificação do Iphan, Pedro Clerot, o IPCI Maceió está entre os primeiros projetos desenvolvidos nesse novo formato.
O patrimônio cultural imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro, em Maceió (AL), passa a contar com uma nova ferramenta de documentação, pesquisa e preservação. O Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI Maceió) foi lançado nesta quarta-feira (7), no Museu Théo Brandão, em Maceió, e integrado à plataforma digital do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) , mantida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Desenvolvido de janeiro de 2024 a dezembro de 2025, o IPCI Maceió atende às exigências do Acordo Socioambiental firmado pela Braskem e pelo Ministério Público Federal, em conjunto com o Ministério Público Estadual, em resposta aos impactos do desastre ambiental iniciado em 2018. O inventário identificou 330 fazedores de cultura e 75 expressões culturais nos cinco bairros, reunindo informações que poderão subsidiar pesquisas, políticas culturais e novas ações de salvaguarda.
“Esse trabalho se configura como um dos primeiros pilotos da nova versão do INRC. Ele vai ser o terceiro que o Instituto lança já nessa nova versão do inventário nacional. Antes, não havia uma versão online, não era um inventário digital. Agora, nessa nova versão, estamos começando a ter os primeiros resultados, e esse é um deles”, pontuou o coordenador.
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“A pesquisa foi realizada por uma equipe vinculada à Universidade Federal de Alagoas. A equipe técnica do Iphan colaborou com uma capacitação na metodologia do inventário participativo e também com a formatação das informações, para que o inventário realizado em Maceió pudesse ser incorporado à plataforma do INRC”, explicou o historiador e técnico do Iphan, Maicon Marcante.
Clique aqui para acessar o Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI Maceió).
Para preservar a relação entre cultura, memória e território, o inventário reúne mapas, entrevistas e outros registros que ajudam a reconstruir aspectos dos bairros e de seus espaços de convivência e manifestações culturais. O trabalho começou com um censo e teve a metodologia adaptada ao longo da pesquisa para localizar os detentores das referências culturais, dispersos após a desocupação. A participação da comunidade também contribuiu para definir formas de disponibilizar os resultados e garantir o acesso ao conhecimento produzido.





