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O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, nesta quarta-feira (23), o tombamento do Conjunto Histórico e Arquitetônico da Estação Central do Recife, atual Museu do Trem. O edifício, que já possui tombamento estadual e municipal, será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro de Belas Artes.
Atualmente denominada Estação Central Capiba – Museu do Trem, abriga o primeiro museu ferroviário do Brasil (1972) e o segundo da América Latina. O acervo reúne mais de 600 peças relacionadas a era de ouro do transporte ferroviário, como máquinas a vapor, locomotivas, carroças, fotografias, cartazes, bilheterias, relógios, apitos, cartazes, entre outros.
Já no século 20, após ser convertido em museu, a construção serviu de ponto de acesso à Estação Recife do metrô de 1985 até a primeira década dos anos 2000, consolidando-se como um símbolo da rotina e da vida cotidiana de milhares de recifenses.
"É uma oportunidade para cuidar desse conjunto de forma integrada, unindo os prédios, os documentos e o uso diário do local", ressalta Natália.
A estação é a primeira de grande porte no Brasil, anterior às estações da Luz (1895) e Júlio Prestes (1925), ambas em São Paulo (SP). O local marcou o século 19 pela arquitetura do ferro inovadora e pelo fluxo de pessoas e mercadorias.
Inaugurada em 1888, a estação foi construída para integrar a Estrada de Ferro Central de Pernambuco, que tinha como objetivo principal escoar a produção de algodão, do gado e do couro, além dos passageiros, do agreste pernambucano para o porto do Recife.
O arquiteto Herculano Ramos, autor do projeto da estação, se inspirou no modelo da estação Gare de l'Est, uma das seis principais estações ferroviárias de Paris, na França.
A relatora Natália Araújo afirma, "trata-se de um bem cultural ainda em uso, que se renovou com o tempo e mostra como a união entre União, Estado e Município funciona bem na preservação".
No final dos anos 60, várias ferrovias foram desativadas, incluindo a Estrada de Ferro Central. Por isso, em 1972, Emerson Jatobá, chefe da 3ª Divisão Nordeste da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), com apoio do sociólogo Gilberto Freire (1900 – 1987) criaram o Museu do Trem para preservação da história ferroviária no estado.
Fechado para reformas em 2022, o museu reabriu as portas em julho deste ano, apresentando a exposição Entre Trilhos e Memórias: Os Destinos do Patrimônio Ferroviário de Pernambuco. A visitação ao local é gratuita e está aberta de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 14h.
Estação Central: memória da história ferroviária nacional
A Estação Central do Recife já integra a Portarias nº 407/2010 e nº 17/2022, que institui parâmetros de valoração e procedimento de inscrição na Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário. O tombamento surge, portanto, como uma etapa complementar e indispensável, elevando o patamar de proteção legal e garantindo o resguardo definitivo da memória e da arquitetura do imóvel sob a proteção do Iphan.
Mais informações Assessoria de Comunicação Iphan - comunicacao@iphan.gov.br Cecília Carrera – cecilia.carrera@iphan.gov.br





