Israel ameaçou reduzir a entrada de ajuda humanitária em Gaza devido à demora na entrega, pelo Hamas, dos 28 corpos dos reféns mortos. Essa é uma das cláusulas do acordo de cessar-fogo, mas a recuperação dos restos mortais é um desafio porque muitos estão sob escombros.
Ao todo, o grupo palestino já entregou oito corpos à Cruz Vermelha, responsável pela mediação. Mas, na manhã desta quarta-feira (15), o Exército israelense afirmou que um dos corpos entregues não era de um refém.
Exames forenses realizados em quatro corpos devolvidos ontem concluíram que um dos corpos não corresponde a nenhum dos reféns cujos restos mortais estavam sob o poder do Hamas. Essa foi a segunda entrega de restos mortais recuperados na Faixa de Gaza.
Na segunda-feira, o Hamas havia entregado outros quatro corpos. Vinte e um corpos de reféns permanecem em Gaza, embora alguns sejam muito difíceis de recuperar devido à destruição causada pela guerra.
Uma força-tarefa internacional foi formada para tentar recuperá-los. Especialistas temem que a disputa pela devolução dos corpos possa prejudicar o acordo de trégua. Ontem, o governo israelense chegou a ameaçar manter a passagem de Rafah fechada e reduzir o fornecimento da ajuda devido à demora.
Mas esta manhã uma autoridade de segurança de Israel disse que os preparativos para abrir Rafah estavam em andamento. Cerca de 190 mil toneladas de ajuda estão prontas para entrar em Gaza, aguardando apenas a abertura das passagens fronteiriças, segundo a ONU.
A demora na devolução dos corpos dos reféns não é o único desafio à manutenção do cessar-fogo em Gaza. As fases posteriores do acordo exigem que o Hamas se desarme e ceda o poder, o que ele até agora se recusou a fazer.
Após o recuo das tropas israelenses, o grupo palestino lançou uma operação para retomar o controle da Faixa de Gaza. O grupo enfrenta resistência de facções rivais e promove execuções públicas na tentativa de reafirmar poder sobre o enclave palestino.
Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que comunicou ao Hamas que o grupo deve se desarmar ou ele será forçado a desarmá-lo, e que isso acontecerá de forma rápida e talvez violenta.
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