A programação conta com diversos eventos e ações que chamam atenção para a necessidade urgente de ações para proteção do meio ambiente
No Dia do Planeta Terra ou Dia da Mãe Terra, comemorado nesta quarta-feira (22), foi dada a partida na Jornada da Terra 2026. Organizada pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e instituições parceiras, a jornada deste ano foca na urgência climática e justiça ambiental. A sessão solene de abertura foi realizada no Auditório Professor Jorge Lobo, localizado no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A Jornada da Terra é uma ação coletiva realizada por uma rede, envolvendo a Fundaj, a UFPE, as universidades Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Pernambuco (UPE), o Centro Sabiá, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Mãos Solidárias.
O início da Jornada da Terra coincide com o Dia da Terra, 22 de abril, para reforçar a concordância com a temática do dia mundialmente celebrado: a proteção do planeta. Em 2026, o tema escolhido para este ano compreende territórios, saberes e futuros possíveis, aprofundando o debate sobre a emergência climática, suas dimensões sociais e territoriais e a importância do diálogo entre conhecimentos acadêmicos, populares e tradicionais na construção de respostas coletivas.
O Coral Canto do Rouxinol, formado por idosos e idosas que fazem parte do Núcleo da Pessoa Idosa (NPI) da UFPE, iniciou a solenidade. Logo após a atividade cultural, foi realizada a mesa de abertura, formada por Luciana Rosa Marques, diretora de Pesquisas Sociais (Dipes)/Funda), representando a presidenta da Instituição, Márcia Angela Aguiar; o vice-reitor da UFPE, Moacyr Cunha de Araújo Filho; a vice-reitora da UFRPE, Socorro Oliveira; o representante da Comissão Pastoral da Terra, Ângelo Zanré; a pró-reitora de Extensão da UFPE, Conceição Reis; a diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Daniela Feitosa; e a vereadora Jô Cavalcanti.
Luciana Rosa Marques destacou a importância de reconhecer as desigualdades sociais dentro da questão ambiental. “A crise climática não é apenas uma crise ambiental. Ela é uma crise social profundamente desigual que afeta principalmente populações periféricas, povos indígenas, quilombolas. Então, a justiça ambiental passa pelo reconhecimento dos direitos”, explicou.
Após a abertura, os pesquisadores Maurício Antunes, da Fundaj, e Moisés de Melo Santana, da UFRPE, apresentaram a “Jornada da Terra como processo coletivo, em rede interinstitucional e autogestionário: História, Metodologia e Participações”. “Pensamos a Jornada da Terra como uma oportunidade de trabalharmos com conscientização, mas não apenas por meio da palavra dita, mas também pela ação. Então, o plantio de árvores, fazer sementeiras, tudo isso é parte do que pode ser feito na Jornada da Terra”, comentou Maurício Antunes.
O professor Moisés de Melo ressaltou sobre a criação de um campo positivo de ação. “A ideia é que a gente traga o que a gente tenha de melhor para a Jornada da Terra, para dialogar e discutir para fazer uma bela Jornada da Terra este ano”, destacou.
Na sequência, o vice-reitor da UFPE realizou uma apresentação sobre ações necessárias para a proteção do planeta. “A agenda da UFPE está impregnada de ações voltadas para a questão ambiental”, disse Moacyr, ressaltando a importância da reforma agrária, que não foi feita no Brasil. “O modelo atual explora a natureza e concentra a riqueza, é um modelo completamente contra tudo o que nós estamos pensando com relação à proteção da terra. Então esses movimentos, esses debates, são fundamentais para que a gente continue firme na luta, porque não tem outra solução que não seja uma profunda reforma agrária.”
Joice Paixão, cientista social, especialista em governança climática e coordenadora da Associação Gris Espaço Solidário, proferiu uma palestra sobre como é sua atuação com o Gris no combate direto em áreas atingidas por eventos climáticos, como enchentes. “O Gris começou como algo voltado para crianças, de cunho educativo. Com o tempo, percebemos que as ações precisavam englobar as mulheres daquela comunidade, que são as maiores responsáveis pela manutenção das famílias que vivem na área de risco que margeia o Rio Capibaribe”, explicou.


