O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou a eleição realizada nessa quinta-feira (26) na Assembleia Legislativa, que havia definido Douglas Ruas como presidente da Casa. O pleito não foi válido porque o TRE ainda vai fazer a retotalização dos votos para deputado estadual depois da cassação do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Todos os 97.822 votos que ele havia recebido em 2022 vão ser considerados nulos.
A recontagem vai ser feita pela Justiça Eleitoral na próxima terça-feira (31) e pode modificar a atual configuração de bancadas e partidos na Alerj. Com isso, continua o impasse sobre quem vai assumir o governo do estado do Rio.
O ex-governador Cláudio Castro renunciou ao mandato no começo desta semana, afirmando que iria disputar uma vaga no Senado. Mas ele foi julgado inelegível pelo TSE até 2030, por abuso de poder político e econômico na eleição de 2022. Quem deveria assumir a cadeira do Palácio Guanabara era o vice, Thiago Pampolha. Mas o Rio já estava sem vice-governador desde maio do ano passado, quando Pampolha renunciou para assumir o cargo de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado.
A linha sucessória seguiria então para a Alerj. Mas o presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, já estava afastado, suspeito de vazar informações para o crime organizado. Quem exerce hoje o comando na Assembleia é o deputado Guilherme Delaroli, do PL, que não pode assumir o governo do estado por ser presidente interino da Alerj.
Por enquanto, quem está como governador interino do Rio é o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que vai permanecer no cargo até os deputados fazerem a eleição indireta. Quem for eleito cumprirá um mandato-tampão até janeiro do ano que vem. O voto direto para o governador do Rio só ocorre em outubro, quando os eleitores do estado vão escolher um novo representante para o mandato de 2027 a 2031.
A perda do mandato de Cláudio Castro é uma situação recorrente no comando do Rio de Janeiro. Todos os governadores eleitos no estado nos últimos 30 anos foram presos ou cassados. Wilson Witzel foi eleito governador em 2018. Em 2020, foi afastado do cargo pela justiça, acusado de desvios em contratos públicos de saúde. Ele sofreu impeachment em 2021, e Cláudio Castro, que era o vice, assumiu o governo.
Luiz Fernando Pezão, antecessor de Witzel, foi preso antes mesmo do fim do mandato, em 2018. Ele foi acusado de receber mais de R$ 20 milhões em propina de empreiteiras. Depois que foi solto, voltou à política e atualmente é prefeito de Piraí, cidade no interior fluminense. Pezão era vice de Sérgio Cabral, que assumiu o governo do Rio em 2007 e ficou no cargo até 2014. Em 2016, foi preso, acusado de comandar uma organização criminosa que fraudava licitações e cobrava propina de empreiteiras. Chegou a ser condenado a 425 anos de prisão. Desde 2022, está fora da cadeia, mas é monitorado com tornozeleira eletrônica.
A governadora Rosinha Garotinho, eleita em 2002, e o marido dela, Anthony Garotinho, que venceu as eleições para o governo do Rio em 1998, também foram presos. O casal foi acusado de fraudes eleitorais e desvio de verbas públicas em Campos dos Goytacazes, cidade do norte do estado do Rio de Janeiro, na época em que Rosinha era prefeita e o marido era secretário de governo. Eles estão soltos por decisões judiciais.
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