Todos os anos, o Sistema Único de Saúde realiza mais de um milhão de sessões de acupuntura em pessoas com diferentes demandas de saúde. É uma das práticas integrativas e complementares de saúde oferecidas pelo sistema público. Esse tipo de tratamento também é oferecido em clínicas privadas. E uma legislação, que já está em vigor, atualizou as exigências para os profissionais que aplicam a técnica.Ana é uma farmacêutica dedicada a encontrar formas de tratamento para a dor. A possibilidade de uma abordagem integral, e não apenas dos sintomas, fez com que ela abraçasse a acupuntura como profissão. Ana até se tornou professora dessa técnica milenar.“A gente não trabalha com o sintoma específico, mas com a causa, com o reequilíbrio do corpo. Nosso corpo não dá uma mensagem direta. Quando você sente uma dor e sente um desconforto emocional, eles podem estar dizendo a mesma coisa”, exemplifica Ana Carla Carvalho.Ábia é uma das alunas da turma. Ela já trabalhava na área da acupuntura auricular e decidiu se qualificar para outras formas de atendimento. Ela é treinada para interpretar os sinais do corpo do paciente logo no primeiro atendimento, a partir de uma investigação que começa no pulso. O corpo entrega o quadro.“Tem uma que me esconde que come açúcar. Ela é diabética. Quando eu vou apalpar o pulso dela, eu falo: você comeu doce. A gente vê pelo pulso” conta Ábia Pitanga, que é enfermeira acupunturista.A acupuntura, tradição chinesa, é um conjunto de técnicas e terapias baseadas na estimulação de pontos do corpo por meio de agulhas específicas, com instrumentos e procedimentos próprios. Um dos benefícios do tratamento é o reequilíbrio das funções físicas e mentais. Até o início deste ano, a atividade profissional não era regulamentada, o que expunha a saúde do paciente a uma série de riscos.Agora, para que um profissional aplique as técnicas de acupuntura, é obrigatório ter diploma específico de graduação em nível superior, expedido por instituição de ensino reconhecida. Também serão aceitos cursos superiores de graduação similares ou equivalentes, realizados no exterior, desde que validados e registrados pelos órgãos competentes. Profissionais da área da saúde com nível superior e especialização em acupuntura também poderão aplicar a técnica, desde que o curso seja reconhecido pelos Conselhos Federais.No caso de quem já atua na área, os profissionais não diplomados que já exercem atividades de acupuntura de forma comprovada e ininterrupta pelo período mínimo de cinco anos estão autorizados a exercer a atividade.Tarcísio é coordenador de um curso no Rio de Janeiro e acredita que a regulamentação deve valorizar a profissão.“Qualquer profissão que tem pessoas sem capacidade, sem a expertise necessária, corre risco. Acupuntura não é diferente. Então, as pessoas que procuram tratamento através da acupuntura têm que certificar-se que esse profissional tem a expertise necessária para atendê-lo”.
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