A lista suja do trabalho análogo à escravidão foi atualizada. Apesar de incluir 82 novos empregadores, houve uma redução de cerca de 50% em relação à atualização anterior. Os novos casos envolvem mais de 500 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão entre 2024 e 2026.
Na prática, a lista suja mostra onde as fiscalizações encontraram trabalho análogo à escravidão e quais empregadores foram responsabilizados.
Nesta atualização, 82 novos empregadores entraram no cadastro: 54 pessoas físicas e 28 empresas. O número é 51,48% menor que o da atualização anterior, feita em abril. Os novos casos, identificados entre 2024 e 2026, estão distribuídos por 21 estados. Minas Gerais concentra o maior número, com 19 ocorrências, seguido pela Bahia, com oito.
“Nós nos deparamos com dois tipos de perpetradores. Um que é aquele que quer aumentar o lucro e não gastar com as condições de dignidade para o trabalhador. Por outro lado, em alguns casos que ainda existem, nós encontramos pessoas, empregadores que realmente submetem pessoas à escravidão por achar que elas merecem isso”, afirma Luciano Aragão, coordenador Nacional Conaete/MPT.
Entre as atividades com mais flagrantes estão pecuária, trabalho doméstico, produções de carvão e café e construção civil. Ao todo, 553 trabalhadores foram libertados nos últimos dois anos. Desde 1995, foram mais de 70 mil resgates de condições análogas à escravidão no país e os trabalhadores receberam mais de R$ 171 milhões em verbas salariais e rescisórias.
"Reconhecendo que a vulnerabilidade social é um dos principais fatores do trabalho escravo, estamos exigindo dos municípios com maiores casos de trabalho escravo que eles atendam as vítimas, atendam as potenciais vítimas, garantindo direitos, garantindo a inclusão em programas de renda básica que já existem, para que essas pessoas tenham uma redução dessa vulnerabilidade, algum amparo do Estado brasileiro, para que não sejam vítimas fáceis do trabalho escravo”, destaca Aragão.
O Ministério do Trabalho recebe denúncias de trabalho análogo à escravidão pelo Sistema Ipê, lançado em 2020. O endereço é ipe.sit.trabalho.gov.br. https://ipe.sit.trabalho.gov.br/#!/
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