Evento reúne pesquisadores, educadores e mediadores para discutir o papel da literatura na formação, no pertencimento e nas redes de cuidado coletivo
O IV Seminário: “Mediação de Leitura: construindo sentidos para a prática; Mediação Literária e Cuidado Coletivo: narrar, lembrar, pertencer, transformar" foi aberto na segunda-feira (24/08). O evento é realizado pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) por meio da Biblioteca Blanche Knopf. Esta quarta edição do evento tem foco na mediação e incentivo à leitura.
Uma atividade lúdica embebida em literatura e articulação cultural abriu o seminário, uma atividade da contadora de história Nanda Mélo, que apresentou Conversa de Comadre. Em seguida, foi realizada a mesa de abertura, com a participação da presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar; do diretor da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), Túlio Velho Barreto; a diretora de Formação Profissional e Inovação (Difor), Ana sousa Abranches; da coordenadora-geral do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira (Cehibra), Nádia Tenório; da coordenadora da Biblioteca Blanche Knopf, Veronilda Barbosa dos Santos; e da diretora do Centro de Educação e Desenvolvimento Integral de Olinda (CED), Érica Verçosa.
"A leitura toca a alma. Na hora que ela toca a alma, ela impulsiona para que se realizem coisas muito boas com relação a onde se vive, aos nossos territórios. Ela dá aquele impulso para que as novas gerações a busquem cada vez mais para poder caminhar no sentido da sua formação integral", destacou a presidenta da Fundaj. Márcia Angela Aguiar ressaltou também a importância do trabalho dos mediadores de leitura diante dos obstáculos contemporâneos, como o avanço científico e tecnológico e o uso excessivo de celulares.
O diretor Túlio Velho Barreto destacou o cenário da leitura no Brasil, comentando que apontando que apenas 31% das escolas estaduais e 23% das municipais possuem espaços de leitura ou bibliotecas. “Além disso, menos da metade (45%) desses ambientes conta com um profissional habilitado na área de biblioteconomia ou afim”, disse. Veronilda Barbosa dos Santos, expressou o entusiasmo em realizar a quarta edição do seminário e promover a leitura. "Espero que a sala de leitura, que a biblioteca, permaneça cumprindo sua missão, que é multiplicar os leitores, porque ler é viajar sem precisar tirar o pé do lugar".
A primeira mesa de debate do evento teve como tema "Pertencer: literatura, território e redes de cuidado". Sob mediação de Cida Fernandez, participaram Maria Céu, idealizadora e mobilizadora do projeto “Vida+ em movimento”: arte, afeto, cuidado e diversidade; Anita Presbitero, idealizadora e mobilizadora do Clube de Leitura para mulheres Floriterárias; e Selma Monteiro, mobilizadora do projeto Papo de Mulher da Biblioteca Comunitária Amigos da Leitura.
Em diálogo com o compromisso de escuta da palavra como fortalecimento da literatura, a programação teve continuidade com mediações de leitura com Cida Fernandez, Érica Verçosa e Maria Céu. Os textos apresentados, “Se os tubarões fossem homens”, de Bertolt Brecht, “O retrato do poeta quando jovem”, de José Saramago, e “Todas as Manhãs”, de Conceição Evaristo, reforçaram o papel da palavra nas percepções do corpo e da poesia como território de escuta. Durante a oficina “Narrar: mediação literária e experiências de cuidado”, ministrada por Maria Céu, os participantes refletiram sobre o poder transformador da palavra a partir de atividades de criação literária e partilha de histórias sobre suas vidas.


