O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros chefes de Estado participam nesta quarta-feira (24/9), em Nova Iorque, de um ato em defesa da democracia. O evento ocorre na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), onde o brasileiro discursou nessa terça-feira (23/9) na abertura da Assembleia Geral. Na pauta, temas como multilateralismo, cooperação contra o extremismo, desinformação e discursos de ódio.
Além de Lula, participam o presidente do Chile, Gabriel Boric; da Espanha, Pedro Sánchez, entre outros representantes de cerca de 30 países. Logo na abertura do evento, o presidente brasileiro disse que somente a democracia será capaz de reconstruir o multilateralismo, a harmonia entre os seres humanos e a civilidade na relação entre os Estados. Ainda segundo Lula, é preciso encontrar os erros cometidos pela democracia na sua relação com a sociedade civil, mas somente com o fortalecimento da democracia será possível vencer os males do extremismo, do negacionismo e também do discurso fascista.
Na tarde de hoje, Lula também participa da abertura de um evento especial sobre clima. E ainda está prevista uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Para fechar a agenda do presidente nesta semana nos Estados Unidos, ele vai conceder uma entrevista coletiva para a imprensa.
Para a semana que vem a expectativa é em relação à reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em seu discurso na abertura da assembleia geral da ONU, Trump revelou que havia se encontrado com o brasileiro nos bastidores.“Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem. Ele parece um cara muito legal. Ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química. E isso é um bom sinal”, disse Trump.
O Itamaraty confirmou o encontro rápido entre os presidentes e que a proposta de uma conversa na semana que vem foi feita por Trump e imediatamente aceita por Lula. Mas ainda não está marcado o dia da reunião, que deve ser por telefone ou videoconferência.
A expectativa é que sejam discutidas as tarifas impostas ao Brasil. O tema foi abordado por Trump na Assembleia da ONU.“O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos", disse o presidente norte-americano em seu discurso.
Por sua vez, em seu discurso o presidente Lula rebateu fortemente essa posição. Disse que as medidas contra o Brasil são injustificáveis e que a nossa democracia e soberania são inegociáveis. Também condenou as tentativas de interferência na independência do judiciário brasileiro.“Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou para resistir e defender sua democracia reconquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do poder judiciário é inaceitável”, disse Lula.
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