O secretário de Articulação Institucional do MPO, João Villaverde, destacou que o projeto contou com escuta ativa de todas as partes envolvidas; mesa foi organizada pelos Ministérios de Meio Ambiente e Mudança do Clima e dos Transportes
Uma mesa de debates realizada neste sábado (15/11) na COP-30, em Belém, teve como tema os desafios na gestão socioambiental de grandes projetos de infraestrutura: a fragmentação de ecossistemas, o aumento do desmatamento, a pressão sobre recursos hídricos, a escuta das populações locais no território e as transformações socioculturais. Representando o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), o secretário de Articulação Institucional, João Villaverde, falou do programa Rotas de Integração Sul Americana, do qual é coordenador.
"Desde o princípio, introduzimos o método da escuta ativa no Rotas", contou Villaverde na COP-30. "Escutamos os governos estaduais, a comunidade acadêmica, as populações locais dos Estados brasileiros que fazem fronteira com os países sul-americanos e introduzimos, neste debate, toda a inteligência dos diferentes ministérios, do Meio Ambiente e Mudança do Clima a Ciência, Tecnologia e Inovação, passando por Transportes, Itamaraty, Integração e Desenvolvimento Regional, Comunicações, Portos e Aeroportos e tantos outros".
O secretário do MPO também falou, no evento, das interações com os países do continente. Entre os exemplos de empreendimentos citados estava o linhão de energia hidroelétrica de Tucuruí (PA), estendido de Manaus a Boa Vista sob ação do Ministério de Minas e Energia (MME). A obra, finalizada há um mês, levou mais de uma década para efetivamente ocorrer -- e saiu do papel, no governo Lula, após a escuta dos povos indígenas que vivem ao sul de Roraima. Com a conclusão da obra, Roraima foi, enfim, incorporado ao sistema interligado nacional, ao mesmo tempo em que reduziu a necessidade de termelétricas mais poluentes e de pressão sobre energia compartilhada pelos vizinhos sul-americanos.
A mesa de debates foi organizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério dos Transportes. "Precisamos fortalecer a gestão socioambiental dos projetos, de forma a tornar sustentáveis os investimentos em infraestrutura -- tão necessários e demandados nos territórios", afirmou o diretor de programa da secretaria-executiva do MMA André Andrade, condutor dos trabalhos. Conhecedor das Rotas, Andrade convidou o MPO para contar como esses desafios têm sido levados em consideração na elaboração e na implementação do programa.
O evento na COP-30 contou ainda com a participação do subsecretário de sustentabilidade do Ministério dos Transportes, Clóves Benevides; do superintendente de gestão ambiental e territorial da Infra SA, Bruno Marques; da especialista líder em transportes do Banco Interamericano de desenvolvimento, Ana Beatriz Monteiro, e do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Henrique Pereira.
Rotas de Integração Sul-Americana
O programa Rotas de Integração Sul-Americana foi concebido pela Secretaria de Articulação Institucional (SEAI/MPO) em 2023, a partir do Consenso de Brasília, quando líderes da América do Sul retomaram a agenda de integração regional. Composto por cinco rotas prioritárias multimodais (rodovias, hidrovias, ferrovias, portos, aeroportos, infovias e linhas de transmissão de energia elétrica), o programa foi elaborado após consulta aos Estados brasileiros e tem como objetivo reduzir custos logísticos, encurtar distâncias e ampliar a competitividade do comércio exterior brasileiro.
Apresentadas a todos os países da região, as Rotas contam com obras e projetos em andamento em todos os vizinhos do Brasil. Três elas passam pelo território da Amazônia. Rota 1 - Ilha das Guianas: conecta estados do norte do Brasil (Roraima, Amazonas, Pará e Amapá) com Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela. Rota 2 - Amazônica: liga o Amazonas via rios a portos da Colômbia, Peru e Equador. Rota 3 - Quadrante Rondon: liga os Estados do Acre, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso com a Bolívia, o Peru e o norte do Chile.
Nesta segunda-feira (17/11), o programa Rotas também será tema em um novo debate na COP-30, desta vez com organização da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).


