Diretora substituta do Museu Goeldi, Roseny Mendonça afirma que o tema proposto se conecta diretamente com a missão institucional do MPEG: “O tema dialoga com o papel desempenhado pelo museu ao longo desses seus 160 anos, uma vez que a instituição tem atuado como um espaço de produção científica, de preservação da memória, da valorização da sociodiversidade amazônica e da promoção do diálogo entre diferentes saberes. O Museu Goeldi contribui diretamente com essa temática quando aproxima ciência e sociedade, quando promove esse intercâmbio entre pesquisadores, comunidades tradicionais, povos indígenas, estudantes e o público de um modo geral”.
A Semana Nacional de Museus começa na segunda-feira (18) com a visita guiada à exposição “ Ahetxiê: um tesouro da costa amazônica ”, em cartaz no Aquário Jacques Huber. Com a condução das indígenas Suzana Karipuna, antropóloga, e Ana Manoela Karipuna, socióloga, além da mestra em zoologia e pesquisadora do MPEG, Maria Ivaneide Assunção, o público irá conhecer a história do peixe-serra na região, também conhecido como “espadarte”, ameaçado de extinção. Serão abordadas a sua importância no ecossistema e a sua simbologia na cultura do povo Karipuna, presente nas Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminá, localizadas no município do Oiapoque, no Amapá. “Vamos falar sobre a importância dos povos indígenas estarem ocupando esses espaços de curadoria dentro das instituições. O peixe-serra está relacionado à história do povo Karipuna, à história da migração, aos seus rituais. Vamos apresentar especificamente essas histórias e falar como elas existem dentro do território. Iremos explicar como a cultura foi traduzida para o formato da exposição”, adiantou Ana Manoela Karipuna.
Texto: Carla Serqueira
A programação da Semana Nacional de Museus finaliza com a oportunidade de embarcar em trilhas que serão oferecidas nas manhãs da sexta-feira (22) e do sábado (23), no Parque Zoobotânico, com o olhar voltado para as árvores. Organizadas pela turismóloga do Museu Goeldi, Ana Claudia Silva, e pelo bolsista Rafhael Carvalho, as trilhas têm o objetivo de alinhar a conscientização sobre a extinção de grandes árvores e o uso sustentável de palmeiras. “A proposta da trilha é unir as espécies ameaçadas de extinção, as quais chamamos de gigantes da floresta, com as palmeiras, as espécies que dão sustento aos povos da Amazônia, como os ribeirinhos. Ao longo da trilha, vamos visitar 13 espécies, que estão no parque”, explicou ela, acrescentando que os participantes deverão receber um mapa para acompanhar os pontos de observação durante a trilha.
Emanoel Júnior ressalta que a programação oferecida está alinhada com a temática proposta pela 24ª Semana Nacional de Museus. “A socialização do conhecimento através de exposições, publicações, ações educativas e outros produtos permite que a sociedade se reconheça como parte do grande bioma complexo e vital da Amazônia, fortalecendo o sentimento de pertencimento e de responsabilidade pelo futuro da região. A atuação do Museu Goeldi conecta, nesse sentido, a Amazônia e o resto do mundo. Ao produzir ciência de ponta sobre a sociobiodiversidade e as mudanças climáticas, a instituição coloca a realidade local no centro das discussões globais. Isso ajuda a romper esse isolamento geográfico e político, unindo diferentes atores sociais em torno de um objetivo comum, que é a sustentabilidade e a valorização da vida em todas as suas formas”.
Já na terça-feira (19), as atividades serão no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, localizado na Avenida Perimetral, no bairro Terra Firme. Coordenador de museologia do MPEG, Emanoel Júnior explicou que, no campus, haverá duas atividades voltadas ao debate científico. “Na primeira rodada de conversa, vamos debater o papel das tecnologias sociais como instrumentos para construção da autonomia das comunidades amazônicas. E na segunda rodada, o foco é o papel da museologia social. É a partir dessa apresentação de pesquisas que pretendemos debater a democratização dos processos de construção social da memória e da ideia de patrimônio. O objetivo é que as comunidades e os seus territórios não sejam vistos como objetos de estudo, mas como sujeitos de direito na definição de quais memórias e patrimônios devem ser preservados como parte das suas próprias representações sociais”, enfatizou.
“O José Arnoud, com a persona do palhaço, deve conduzir o público por alguns pontos de visitação do parque, fazendo essa contextualização entre as abelhas e sua importância para a biodiversidade. A gente espera que as pessoas se divirtam. Já à tarde, teremos pesquisadores representantes da Embrapa e do Instituto Peabiru, entre os quais o professor Lucas Bernardes, que vão falar sobre a importância do mel enquanto um super alimento”, anunciou, dizendo ainda que está prevista a degustação de mel. “Será uma experiência sensorial para que as pessoas entendam, para além da importância das abelhas na biodiversidade, como o mel é um grande motor da bioeconomia na Amazônia”, explicou.
Para a diretora, é importante refletir sobre os museus como espaços de escuta, de encontros e de construção coletiva do conhecimento. “E esse papel o Museu Goeldi tem desempenhado. Por meio das suas pesquisas, das suas exposições, das ações educativas, das atividades culturais, das publicações em suas redes sociais, o museu fortalece essa compreensão sobre a diversidade amazônica e, ao mesmo tempo, estimula as reflexões sobre uma diversidade de temas, como inclusão, sustentabilidade, ciência, patrimônio, memória, pertencimento, o que vem reafirmar o papel de um museu”, reforçou, dizendo que as comemorações inspiradas pelo Dia Internacional dos Museus representam uma oportunidade estratégica para ampliar o acesso da sociedade às atividades desenvolvidas pela instituição.
Agência Museu Goeldi – Para comemorar a 24ª Semana Nacional de Museus, coordenada em todo país pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), preparou uma programação diversa. De 18 a 23 de maio, no Parque Zoobotânico e no Campus de Pesquisa da instituição, estão previstos seminários, trilhas ecológicas animadas por palhaço, visita guiada à exposição sobre o peixe-serra, instalada no aquário, além de oficina de jogos educativos. E para presentear o público, na próxima segunda-feira, 18 de maio, instituído como o Dia Internacional de Museus desde 1977, a entrada no parque será gratuita.
Revisão e edição: Andréa Batista
As atividades terão como foco os “saberes da Amazônia e as conexões entre ciência, território e diversidade para um mundo em diálogo” e foram inspiradas na temática nacional “Museus unindo um mundo dividido”, definida pelo Ibram. Assim, o evento deste ano tem como objetivo promover reflexões acerca do papel dos museus na promoção de diálogos, da participação social e da garantia do direito à memória.
Chefe do Serviço de Educação do Museu Goeldi, Mayara Larrys falou sobre a trilha que irá proporcionar uma imersão no universo das abelhas, na manhã da quarta-feira (20), no Parque Zoobotânico, com a condução do palhaço Claustrofóbico Pneumático, interpretado por José Arnold, numa parceria com o Instituto Peabiru.
Na quinta-feira (21), a programação segue com mais um seminário, desta vez no Parque Zoobotânico, sobre as conexões entre as ações educativas e os espaços museais. Em seguida, haverá uma oficina sobre jogos educativos. “A oficina de jogos educativos em contextos museais é direcionada a educadores e a futuros educadores, com o objetivo de discutir como os espaços não formais, como um museu de ciências, de história natural, um planetário, um bosque, podem servir como laboratório vivo para pensar jogos educativos, para pensar práticas dentro dos seus espaços, extrapolando os muros das escolas”, explicou Mayara Larrys, que irá falar no seminário “Educação em contexto: tecendo conexões a partir do museu”, ao lado da artista visual, fotógrafa e performance Renata Aguiar e da mestra em educação Camila Quadros.





