Texto e edição: Agência Museu Goeldi (Carla Serqueira e Denise Salomão) e Grupo de Pesquisa de Políticas Públicas e Governança na Amazônia (PPGAM) do NAEA/UFPA (Roberta Cartágenes) com informações da assessoria do British Council.
O workshop visou integrar pesquisadores doutores em início de carreira, originários de diversos países do mundo, como China, Vietnã e Reino Unido, e de estados da Amazônia Legal, como Acre e Pará, em uma experiência imersiva sobre ciência na Amazônia. O evento ocorreu no período de 12 a 17 de outubro e contou com atividades na UFPA, MPEG e na Ilha do Combu.
No auditório, a programação contou com a participação da artista visual e programadora cultural Clarissa Passarinho, do documentarista Sam Liebmann, da arquiteta vinculada à Coordenação de Museologia do Museu Goeldi, Karol Gillet, e da liderança indígena Kahyana, Ângela Kaxuyana, uma das curadoras da exposição Katxar kum neero , concebida e narrada pela Associação Indígena Katxuyana, Tunayana e Kahyana (Aikatuk), que conta a história da retirada forçada, na década de 1960, dos povos Katxuyana e Kahyana dos seus territórios, no município de Óbidos, no Pará, e da retomada das suas terras e de seus artefatos, a partir do ano 2000.
Em abril deste ano, professores da Universidade de Birmingham visitaram o Parque e as exposições “Diversidades Amazônicas” e “Brasil: Terra Indígena”, com o objetivo de apresentar o acervo do Museu Goeldi e fortalecer as relações institucionais entre as instituições. Um pouco antes, entre os dias 2 e 6 de março, pesquisadores e estudantes amazônidas e britânicos se reencontraram na Inglaterra para participar do “ Decolonising Climate Change Symposium ”, evento que representou a segunda etapa do intercâmbio multidisciplinar. A meta é dar continuidade à parceria, visando a troca de conhecimentos e experiências entre os povos da Amazônia e o Reino Unido.
Durante a sua fala, Karol Gillet enfatizou o trabalho da Coordenação de Museologia do MPEG para transformar o conhecimento científico produzido na instituição em uma experiência pública, por meio da expografia, engajando as pessoas e promovendo maior acesso à ciência. “A gente trabalha muito com os pesquisadores, pensando em como fazer uma comunicação para o grande público. Cada exposição é uma nova vivência, uma nova experiência, um novo aprendizado. Então a gente precisa encontrar esses caminhos para interagir com o público. Com as exposições, trabalhamos conectando a ciência, a sociedade e transformando esse conhecimento sobre a Amazônia em experiências”, explicou Karol Gillet.
Após a rodada de palestras e do debate com os jovens profissionais, os participantes puderam realizar uma visita mediada às exposições “Diversidades Amazônicas” e “Katxar Kum Neero: Nossos lugares verdadeiros”, com a participação do coordenador de museologia do Museu Goeldi, Emanoel Junior, e da arqueóloga Erêndira Oliveira, também do MPEG.
De acordo com o pesquisador, “realizar o workshop em Belém, cidade que sediou a COP30, significa produzir conhecimento a partir do território, em diálogo com quem vive e pesquisa a Amazônia todos os dias”. Na manhã do dia 14 de outubro, Angelo Martins proferiu a palestra “Como produzir e evidenciar o impacto social da pesquisa: explorando experiências internacionais”, no Campus de Pesquisa do MPEG, em evento promovido pela Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi.
Jovens pesquisadores da Amazônia Legal e do Reino Unido, China e Vietnã, vinculados a Universidade de Birmingham, se encontraram no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, para participar da programação do workshop “Sociobiodiversity, Mobility and Climate Action in the Amazon: Building interdisciplinary pathways for sustainable futures”. No dia 14 de outubro, o grupo visitou as exposições “Diversidades Amazônicas” e “Katxar kum neero - Nosso lugares verdadeiros”, no Centro de Exposições Eduardo Galvão, onde também assistiram a palestras sobre a relação entre a arte e a ciência no processo de engajamento público, tendo em vista a agenda de preservação da Amazônia.
“O workshop proporcionou aos estudantes ouvir lideranças que muito conquistaram, em defesa de seu território, a partir de colaborações entre os povos tradicionais e a comunidade científica. As lideranças mencionaram a cocriação de produtos de impacto social como: protocolos de consulta, cartografias sociais de acesso e uso do território, além de diagnósticos e monitoramentos participativos dos territórios tradicionais. Elas compreendem que o direito anda lado a lado com a ciência, e que precisamos de ciência engajada para avançarmos no desenvolvimento e na defesa do território amazônico. Foi uma experiência única para estes jovens pesquisadores, com acesso e diálogo direto com os povos das florestas”, afirmou Nírvia Ravena.
Para o professor Angelo Martins, um dos coordenadores do workshop e codiretor do Brazil Institute da Universidade de Birmingham, a escolha de realizar o evento em Belém e promover atividades no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi não foi por acaso. “A Amazônia está no centro dos grandes desafios do nosso tempo, como a crise climática, a perda de biodiversidade e as desigualdades sociais. Por isso, não faz sentido discutir o futuro da região apenas fora dela”, enfatizou.
A inclusão do Parque Zoobotânico na programação do workshop reflete a continuidade da parceria entre o Museu Goeldi e o Brazil Institute da Universidade de Birmingham. Desde 2025, a Universidade de Birmingham e o MPEG estabeleceram parcerias iniciadas com o projeto Immerse Amazônia Summer School, que levou 24 estudantes do Reino Unido e da Amazônia para um intercâmbio de conhecimentos sobre as mudanças climáticas na Estação Científica Ferreira Penna do MPEG, na Floresta Nacional de Caxiuanã, no arquipélago do Marajó (PA).
A professora Nírvia Ravena, coordenadora do workshop, explica que o encontro em Belém visou uma integração entre os pesquisadores e as comunidades, além de uma imersão na ciência feita na Amazônia. O evento contou com a participação das lideranças Miriane Coelho e Marluce Coelho, da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS), e das lideranças regionais do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Letícia Moraes e Robson Santos.
O workshop “Sociobiodiversity, Mobility and Climate Action in the Amazon: Building interdisciplinary pathways for sustainable futures” foi financiado pelo British Council, em parceria com a Universidade de Birmingham, por meio do Instituto Brasil, e pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará. O Museu Paraense Emílio Goeldi, a Universidade do Estado do Pará (Uepa), a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e a Pró-Reitoria de Relações Internacionais da UFPA protagonizam como importantes parceiros da iniciativa.





