Atividade reuniu equipes de Museologia e de Ações Educativas do Muhne e do Engenho Massangana
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) recebeu, na última sexta-feira (25), mais uma etapa da oficina "Museologia de Memórias Traumáticas e curadoria em museus", ministrada pela professora de Museologia e do Programa de Pós-Graduação de Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Paula Brito. A atividade foi realizada na Sala Calouste Gulbenkian, no Campus Gilberto Freyre, em Casa Forte, e contou com a presença das equipes de Museologia e de Ações Educativas do Museu do Homem do Nordeste (Muhne) e do Engenho Massangana.
Durante a oficina, Ana Paula refletiu sobre os conceitos de memória relacionados a eventos traumáticos da história, partindo de exemplos de museus e equipamentos culturais e educativos que fazem da evocação desses acontecimentos objeto de discussão. Para ela, é necessário ressignificar traumas e violências com respeito, coletividade e consciência, tendo a sensibilidade como método. “Como as exposições e os museus são atores cruciais para processos de reparação? A reparação não é só para as vítimas diretas, mas para as várias pessoas que acessam essas exposições e essas memórias traumáticas”, refletiu.
A professora falou, ainda, da espetacularização da violência e de processos de reparação por meio de exposições e museus, utilizando a sensibilidade como método. “O museu não pode apenas informar, deve mover, tocar e empurrar a ação. O que determina uma instituição museológica ser de memória e consciência é como essas memórias de violações são ativadas para ressignificação e geração de consciência cidadã”, destacou.
O objetivo da oficina é elaborar um roteiro curatorial, com proposta de percurso, ambientes e módulos, além de estratégias de mediação para a exposição sobre a trajetória de Elizabeth Teixeira - primeira mulher a liderar uma Liga Camponesa -, que será inaugurada no Engenho Massangana em 2027.



