Rosy Isaías e Joyce Alves refletiram sobre a inequidade de gênero e de raça na ciência e na educação do Brasil
Imagem: Print da tela (Divulgação)
O Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero com suas interseccionalidades da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) promoveu a roda de conversa “Ciência para quem? Discriminações interseccionais e as desigualdades de gênero na ciência”. O encontro reuniu pesquisadoras negras para discutir desafios e caminhos para promover a equidade no ambiente científico.
A abertura contou com a participação da presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho, que destacou o papel do Comitê. “Ele tem discutido questões fundamentais relacionadas à equidade de gênero e às ações necessárias para o enfrentamento das desigualdades que ainda persistem na sociedade e na ciência brasileira”, afirmou.
O debate foi marcado pela participação das professoras Rosy Isaías, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), primeira mulher autodeclarada negra a ser bolsista de produtividade 1A do CNPq, e Joyce Alves, professora negra e trans, pró-reitora de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ambas compartilharam trajetórias e reflexões sobre as desigualdades de gênero e de raça na carreira científica.
As participantes destacaram que ampliar o debate sobre gênero, diversidade e direitos humanos na educação e nas instituições científicas é essencial para construir um ambiente acadêmico mais justo e inclusivo.
Rosy Isaías tem 60 anos de idade, 31 deles como professora universitária. Ela lembrou o impacto de fatores como maternidade e responsabilidades familiares na produtividade acadêmica: “Minha produção decolou depois que minhas filhas estavam criadinhas, já tinham mais independência”. Também destacou barreiras enfrentadas por mulheres negras: “Eu não tinha que ser só boa, tinha que ser melhor que minhas colegas brancas, senão eu seria descredibilizada”.
Joyce Alves destacou que, embora as mulheres representem 59% das pessoas matriculadas no ensino superior, a presença feminina diminui nos níveis mais altos da carreira acadêmica. “Quando a carreira se torna mais política e envolve cargos de decisão, a participação das mulheres diminui”, afirmou. Ao analisar o recorte interseccional de raça, Joyce observou: “Apesar de as mulheres já serem maioria em alguns espaços, o percentual de mulheres negras é sempre muito mais baixo.
A conversa foi mediada por Letícia Oliveira, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do Comitê. Ela explicou que o colegiado atua em três eixos: apoio à equidade, diversidade e inclusão de grupos sub-representados, políticas de apoio à parentalidade, e enfrentamento à violência de gênero.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ASCOM/CAPES



