Memórias de quem abriu caminho
Quatro décadas depois de lutarem pelo direito de jogar futebol, 35 pioneiras da modalidade viveram um sábado (10) de reconhecimento e emoção no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS). Antes da vitória da Seleção Brasileira feminina por 3 a 1 sobre a Argentina, o Ministério do Esporte homenageou as ex-jogadoras de equipes gaúchas e cinco integrantes do Atlético Araguari, de Minas Gerais, em um encontro realizado no Museu do Inter.
O encontro ocorreu em um momento de preparação para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, que será disputada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho. Será a primeira edição do torneio realizada na América do Sul.
Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte
Para Elaine Evaldt Machado, que integrou a história do futebol feminino do Internacional, o Rio Grande do Sul teve participação importante na conquista do reconhecimento da modalidade. “Aqui em Porto Alegre tivemos uma participação enorme na luta pela legalização do futebol feminino no Brasil”, lembrou.
O confronto terminou em 8 a 0 para o Esportivo, com destaque para Keti, que ficou conhecida pelos dribles e gols. Na época, por seu estilo de jogo chegou a ser comparada ao de Renato Gaúcho, então jogador do Grêmio.
A homenagem reuniu mulheres que fizeram parte da história do futebol feminino no Internacional, Grêmio, Esportivo de Bento Gonçalves e Sport Club Rio Grande, além das representantes do clube mineiro. As pioneiras receberam cartas de reconhecimento por suas trajetórias e pela contribuição ao desenvolvimento da modalidade no Brasil.
Pioneiras de Minas Gerais também recebem homenagem
O Brasil abriu o placar aos 26 minutos do primeiro tempo, com Luany. Aos 38, Geyse ampliou com um gol de bicicleta. A capitã Angelina marcou o terceiro ainda antes do intervalo. No segundo tempo, Maricel Pereyra descontou para a Argentina.
Vitória brasileira diante de mais de 28 mil torcedores
“É extraordinário representar o Sport Club Rio Grande e ter jogado aquela partida histórica, um time do interior e que foi tão importante para a história do futebol feminino no Brasil”, afirmou.
Depois da homenagem, as pioneiras acompanharam a vitória da Seleção Brasileira sobre a Argentina por 3 a 1, diante de mais de 28 mil torcedores no Beira-Rio. Foi a primeira partida da Seleção feminina no estádio, que será uma das sedes da Copa do Mundo Feminina de 2027.
Foram homenageadas Nadima de Fátima Nascimento, Nilza Aguiar Borges, Haidee Dalia Dias, Heloísa Helena Rodrigues Marques e Luci Teixeira Alves Borges.
Além das 30 ex-jogadoras gaúchas, cinco integrantes do Atlético Araguari, de Minas Gerais, participaram do encontro e receberam cartas de reconhecimento do Ministério do Esporte.
“A emoção é de todas as pioneiras. Há 43 anos lutamos pela legalização do futebol feminino e, no Brasil todo, temos várias pioneiras. Estar aqui hoje recebendo a Seleção Brasileira em Porto Alegre e às vésperas de receber a Copa do Mundo Feminina, a primeira da América do Sul, é uma emoção que não consigo nem descrever”, afirmou Marianita, do Grêmio.
A história de Claudete Anderle, a Keti, também está ligada a um dos episódios mais marcantes do futebol feminino gaúcho. Em 17 de abril de 1983, ela participou da partida entre Esportivo de Bento Gonçalves e Sport Club Rio Grande, disputada no Estádio Olímpico, como preliminar de Grêmio e São Paulo. O jogo é considerado um marco da retomada da modalidade no estado, após décadas de restrições à participação das mulheres.
A Seleção Brasileira volta a enfrentar as argentinas na terça-feira (13), na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata (PE), outro estádio que receberá partidas da Copa do Mundo Feminina de 2027.
Entre as homenageadas estavam Marianita da Silva Nascimento, do Grêmio, Elaine Evaldt Machado, do Internacional, Claudete Anderle, a Keti, do Esportivo de Bento Gonçalves e Rosângela Solano Rodrigues, do Sport Club Rio Grande.
Rosângela Solano Rodrigues, que defendeu o Sport Club Rio Grande no mesmo confronto, destacou a importância da participação das equipes do interior na construção dessa história.
“Eu me lembro do dia dessa entrevista em que fui comparada pela primeira vez com Renato Gaúcho e eu disse que não queria ser comparada a um homem. Fico muito feliz que abrimos esse caminho, porque hoje as jovens garotas podem se inspirar em outras jogadoras do futebol feminino brasileiro”, contou Keti.
A partida ocorreu apenas seis dias depois da publicação da Deliberação nº 01/83 do Conselho Nacional de Desportos, que estabeleceu normas para a prática do futebol feminino no Brasil.



